1 de maio de 2017

Um recorte



Um recorte

quando o beijo é atirado
largado por sobre as ondas
há no recorte do quadro
certa esperança que voa

lá, nas correntes bravias
no jogo de facas a certeza
vivem monstros, alegorias
sentimentos sem defesas

nada a serpente das águas
elétrico abraço silencioso
calado canto na madrugada
e o ciclo começa de novo

na areia, sinais de fumaça
nome grifado em Poesia
maré dança e faz pirraça
esquece-se o beijo do dia.

Dhenova

30 de abril de 2017

Desafeto



Desafeto

não foi castigo
nudez dos adjetivos
caraminholas
dos sentidos
não foi castigo
toda premissa
carregada de mistério
não foi mortal
nem teve excesso
de zelo
não foi castigo
oração partida ao meio
fez do poema livre
mero desafeto.

Dhenova

29 de abril de 2017

Chá de Melissa


Chá de Melissa

Ainda vivo
o condenado
alçou sem rumo
outra pedrada
menino levado
nem se incomoda
pássaro coitado
estremece e chora
moça sensível
para e conforta
espera a energia
ir toda embora

volta pra casa
mocinha triste
xícara rasa
lágrimas escassas
chá de Melissa
ou água rosada
íntimo grita
mas a vida 
o cala.

Dhenova

Grande Senhora


Grande Senhora

olha de cima
mãe natureza
some seu riso
sombrio semblante
dor que aflige
peito que arde
calor e fumaça
sofre em silêncio
senhora da mata

terra poderosa
brota magia
alívio das dores
ares de melancolia
vazio que preenche
almas e guias
canta mistérios
ergue-se etérea
senhora do dia

orienta anjos
grãos de lealdade
expõe segredos
calculada verdade
assim, ela vem
dama da estrada
traz o açoite
desenha a jornada
senhora da noite

sua é a palavra.

Dhenova