Páginas

5 de abril de 2017

Vazio


Vazio

Galho seco
Rio
Correnteza
Vazio

Aceno
Desespero
Água
Profundidade
Calmaria
Fim

Gritos
Lágrimas
Beira do rio

Correnteza
Vazio.

Dhenova

21 de março de 2017

Sei o que não quero

Sei o que não quero

Sei o que não quero, expressões gastas
cansei desta merda que venho escrevendo
desenhando tracinhos, as mesmas palavras
coisas de ninhos e contos de fadas
mordam e fodam-se todas tralhas
nunca fui poeta, vão-se às favas
gente que pensa e que se acha

destes tontos e infames intentos
não sei quais são eles, é mesmo
adjetivos que brotam, escorrem
junto apartam-se, brigam, gritam
neste silêncio que desprezei
e naquele dia me apropriei...
calo sim, bosta!
Faço que quero, meu dilema é meu!

Arranquei com força cada remendo
joguei no espelho, antes de quebrá-lo
reconheci cada erro porco, caralho
também fodam-se os medos
estou a fim de um barraco
mulher de verdade é assim
dizem os fracos...

arranquei sem força os alinhavos
e o rasgo voltou
não há nada verde, apenas violeta
um quase roxo, falhas, esboços
algumas prendas
excelentes cisternas que guardo
irrigando a fêmea que me habita

deixei quem sou, escrito num diário
daqueles tipo adolescente
respondendo questões
rindo muito quem pensa que me ilude
deixei quem sou, mandei pra o cume
falsificadas sementes de jasmim
por favor, cuidem-se
mas agora não estou a fim, viste?

Mandei ao inferno e fiz o mapa
sim, escarrei na cara do diabo
ri, dancei e fiz graça
morri três vezes, sem couraça
esqueci os sinais... me uni a Morfeu
num balé sem sapatilhas
dança de rua sem briga
retrato imbecil da vida
poesia que conheceu um dia
tom colorido de realidade
ontem um preto e branco desbotado
agora não...

Quem sou? Sei lá, uma idiota que ainda acredita
que escrever de verdade
em mim não morreu, vou fazer minha parte
o resto que vá pra puta que pariu.

Dêh Poeta

17 de fevereiro de 2017

Dos rastros que deixei



Dos rastros que deixei

Dos rastros que deixei
figuras muros tédios
Do amor que desdenhei
danças ritos mares
Dos detalhes que escondi
sirenas gnomos fadas
Do castelo que perdi
gigantes monstros mistérios

Dos caminhos que não vi
corpos e falas
Da beleza que esqueci
sobrevivi às falhas
Das ilusões de orvalho
perdi a inocência
Da nona vez que consumi
outra existência

Tudo fato
ato
tudo mente
e cala

Cada qual com sua essência
nada mais que valha a pena.

Dhenova

14 de fevereiro de 2017

Cartilha

Cartilha

Com frequência, vejo marcas
Fartas linhas tão riscadas
Escritas por anjos vesgos
Cartas seladas com ópio
Assinadas por magos
Escondem degredos
Solidão vira madrugada
Vinganças são elaboradas
E o tempo passa...

Com obediência, crio música
Na estridência das notas
Rimas negras na madrugada
Reverberam os ecos
Erros crassos no concerto
Não explicam tortas falhas
Malha de aço, inconsistência
Cordas fracas são frágeis
Necessário persistência
E também muita arte
Mas o tempo passa...

Com tranquilidade, saio ao vento
Peito aberto, coragem
Chuva alguma me abala
Sem nenhum ressentimento
Crueldade, desalento
Tempestades me comovem
Desiludidos raios que explodem
Sobre cabeças tolas
O tempo continua...

Em mim, a fome
Jantar dos deuses
Ceias vazias cansam
Ainda que coloridas
Paladar de estrelas
Não é para qualquer boca
Assim diz a cartilha.

Dhenova

26 de janeiro de 2017

Grito do Mar


Mar

Sim, ouvi o grito
ele vinha do mar
fiz-me de surdo
não sei nadar

lamento contínuo
(vinha do mar)
canto de lua
medo e cura
(que vinha do mar)

gritei junto
(foi na beira do mar)
dor que se esvai
amor que encanta
(na beira do mar)

lábios que beijam
(lá no meio do mar)
desejo e corpos
(no fundo do mar)
gozo que explode
(bem no fundo do mar)

Sim, ouvi o grito
ele vinha do mar.

Dhenova

Visitantes