10 de novembro de 2017

Delírios dourados



Delírios dourados

Abraçou o que realmente era importante e foi se afastando. Deixou outra vez no lago, homem de barro, agora de vez enterrado com todas as honras. Antes de sair do parque, encheu o charco com lágrimas de aço. Jurou protegê-los, os que ficaram aos seus cuidados, jurou fazer o certo, sempre o alívio de ser remédio. Deu as costas ao poço secreto. Permaneceu abstrata durante horas. Olhou o espelho. Procurou o medo. Riu de si mesma. Ouviu música brega. Escreveu três poemas, idiotas, cheios de besteiras. Também partiu para um monólogo com o traste do word, que insistia em deixar vermelho as cagadas digitadas. Riu outra vez. Gostava de rir. Tinha um filho, tímido ao extremo, mas com cabelos vermelhos e uma filha que lia o tempo inteiro.  Era feliz, não sentia medo de amar, sabia das tempestades, dos raios e trovões, nada disso ultrapassava a linha cor-de-rosa que vinha da sua proteção. Ainda assim, por precaução, fechou as janelas. Deixou, lá fora, tudo o que a magoou. Perdoou. Perdoou a si mesma. Por ora, resolveu escrever, em seu velho diário, ao invés de silêncios verdes, gritos vermelhos, inspirou sua escrita alguns delírios dourados.

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