25 de novembro de 2017

Alma Pura

Alma pura

Quando o céu sorriu ao horizonte
cruzou o caminho uma estrela
foi bem lá, na curva, ao longe
uma tal de emoção vermelha

Quando o céu sorriu, ao longe

quando o vento parou nos montes
permitiu presença da brisa morna
esquecido ficou no fim o ontem
tristeza morreu, foi embora

quando o vento parou o ontem

quando o mar encrespou a onda
imitou peles arrepiadas, nuas
areia quente fez de mim tua dona
peixes buscaram iscas cruas

quando o mar encrespou 
fez de mim tua dona
e, de ti, minh'alma pura.

SBrisa
25/11/2017

20 de novembro de 2017

Leito de Sorte



Leito de Sorte
.

Dos erros que não cometi
faço pipas de sonhos
vento leva às nuvens
espirais de abandono
enroscam-se entre si
e voam pra longe

bala de goma na boca
deixa a língua vermelha
dentes todos à mostra
e alguns cotovelos
na hora do lanche
nenhum sossego

faces coradas, cansadas
riso que dói a barriga
zunem bolas de barro
água jogada aos ouvidos

no fim, quando é noite
olhos agora fechados
mãos ainda se agarram
assim é o real amor
puro, num leito de sorte.

Dhenova

18 de novembro de 2017

Sem preço

Sem preço

teu apreço
sincero
faz meu ego
delírio secreto
aconchego
que mereço
concreto
recomeço

sem preço
face a face
água da sanga
fria e selvagem
faz do caminho
fonte no leito
das minhas vontades

e eu penso
por que não?

teu apreço
sincero
faz meu ego
aconchego
recomeço
concreto

Dhenova

15 de novembro de 2017

Novo dia

Novo dia

sorri o céu azul claro
numa doçura infinita
cantam os pássaros
a nova melodia
que fala de reis, ratos
morte e vida
gente e bicho, melindres

sorri o céu azul claro
num encanto tão doce
declama o galo lá fora
a nova poesia
que fala de ilusão, sonhos
bestas, bodes
seres risonhos, consortes

sorri a vida pela janela
num clichê matinal
carros passam longe
a música toca
ela fala de alegria
de sol quente na pele
fala também do amor
sem ele nada acontece.

Dhenova 

11 de novembro de 2017

Rodopio das estrelas

Rodopio das estrelas

Vento faceiro
bate à janela
vem imponente
abre as celas
vento que corta
e arde

vento gelado
vem lá do sul
muito cuidado
num céu azul
vento que crava
a estaca

vento desajeitado
arranca as telhas
rodopio desvairado
mexe com as estrelas
e para

brisa sorri
fecha a janela
a cortina
e a cela.

SBrisa
11/11/2017

Então, é assim?

Então, é assim?

no perfume caro
laço azul-marinho
vermelho o frasco
cheiro de pinho
mas eu sorrio

no toque das mãos
pétalas de rosa
acariciam o rosto
escondem espinhos
mas eu sorrio

no abraço apertado
descanso ao corpo
cansado de guerra
ferido é pouco
e eu me calo

mas tu assovias
a música inteira
não só algumas notas
eu, ligeira,
anoto os versos
e fecho a porta

então, é assim?
ser amada, cuidada?
não quero o fim
concerto na madrugada

Dhenova

10 de novembro de 2017

Delírios dourados



Delírios dourados

Abraçou o que realmente era importante e foi se afastando. Deixou outra vez no lago, homem de barro, agora de vez enterrado com todas as honras. Antes de sair do parque, encheu o charco com lágrimas de aço. Jurou protegê-los, os que ficaram aos seus cuidados, jurou fazer o certo, sempre o alívio de ser remédio. Deu as costas ao poço secreto. Permaneceu abstrata durante horas. Olhou o espelho. Procurou o medo. Riu de si mesma. Ouviu música brega. Escreveu três poemas, idiotas, cheios de besteiras. Também partiu para um monólogo com o traste do word, que insistia em deixar vermelho as cagadas digitadas. Riu outra vez. Gostava de rir. Tinha um filho, tímido ao extremo, mas com cabelos vermelhos e uma filha que lia o tempo inteiro.  Era feliz, não sentia medo de amar, sabia das tempestades, dos raios e trovões, nada disso ultrapassava a linha cor-de-rosa que vinha da sua proteção. Ainda assim, por precaução, fechou as janelas. Deixou, lá fora, tudo o que a magoou. Perdoou. Perdoou a si mesma. Por ora, resolveu escrever, em seu velho diário, ao invés de silêncios verdes, gritos vermelhos, inspirou sua escrita alguns delírios dourados.

O último corte


O último corte

navalha afiada
purga o membro
veneno que corre
em veias de fogo
ser extirpado
o único modo

febre no corte
dor na retina
grito que sobe
garganta acima

grito vermelho
jorra o sangue
junto o veneno
denso, quente
arranco o pedaço
sem desespero
espero o efeito

já sem dor
ou medo
aguardo
cicatrizes profundas
merecem cuidados


Dhenova

8 de novembro de 2017

Crença



Crença

após a derrocada
ajoelhou-se com fé
respirou fundo
juntou as mãos
levou aos lábios
rezou o terço
duas, três vezes
até que nos dedos
redesenhou a cruz
espalhou os medos
engoliu a hóstia
acreditou na humildade
alcançou a redenção
ilimitada boa vontade

Dhenova

4 de novembro de 2017

Depois de um dia de trabalho


Depois de um dia de trabalho

Eu espero na porta, beijo teu queixo, abraço apertado, sem carinho não há jeito. E te levo para o banheiro. Lá te ajudo a tirar a roupa. Peça por peça.  Desnudo o homem lindo que o tecido não esconde. Só de camiseta, abro o chuveiro. A água é morna. Peço que fiques de costas. Na esponja macia, espalho um creme de rosas. Calcanhares, panturrilhas são tratados de forma doce, até meus dedos chegarem às coxas. Ah, esqueço a esponja. Quero sentir a carne macia. A minha frente, tuas nádegas. Em movimentos circulares, procuro pontos de tensão. Encontro tua cintura e minhas mãos sobem pelas costas, até chegarem aos ombros. Lá, percebo os nós, aos poucos, te sinto relaxar. Murmuro, rouca, que te vires. Nossos olhos se encontram. E minhas mãos continuam o passeio. Pescoço, braços, mãos, peito, abdômen... e novamente as coxas. Ajoelho-me e no vai e vem das mãos chego a tua virilha. Ouço um suspiro. Novamente as pernas, e o pés. Adoro pés. Outro suspiro e te olho novamente. Teus olhos observam o tecido molhado da camiseta, sinto nos seios o arrepio. Impossível não enxergar de onde vem tua tensão agora. Ainda ajoelhada, olhando nos teus olhos, é com a minha boca que procuro aliviar tua tensão depois de um dia de trabalho.

Dhenova

1 de novembro de 2017

Miragem



Miragem

alucinada viagem
expressão gasta
veemente luz solar
nave azul na jornada
vocábulos esparsos
riscados no horizonte
pontos fracos
abismos nos mares
lençois e montes

sem nenhuma bagagem
vadiar sobre o tema
figuras prometidas
metáforas, metonímias
usadas frias, a esmo
estrofes sem rimas
um bom recomeço?

Poesia sem dilema
corrente perdida
esquecer o tal poema
pode ser a saída.

Dhenova

Dia de Festa


Dia de Festa

Quando a manhã chega sorrindo 
o pássaro canta doce melodia 
acorda o travesso menino 
traz para ele toda a alegria
um dia de céu azul clarinho 
com cheiro de nova história 
frio sai bem de fininho

Há um prenúncio de festa
Nos sons, nas cores, no ar
No rio que passa cantando
Correndo rumo ao mar
E entre as pedras vai deixando
O brilho de um fugidio luar

Dhenova & Marisa Schmidt

Tolerância Zero

Não posso dizer que sou uma aficionada por TV, não sou, esqueço o horário, se tiver que sair, saio. Não me prendo e acho muito engraçado quando vejo o desespero que alguns ficam por perderem 'o capítulo da novela' daquele dia, pois ia acontecer isso ou aquilo. E trazem as personagens para a vida, falam da fulana, do fulano com a maior intimidade. Eu entendo. Algumas pessoas precisam buscar nas histórias pretexto para suas vidas, sentir emoção. E ainda que não seja, como disse lá em cima, uma telespectadora, houve um momento em minha vida, na gravidez dos meus filhos, que eu 'achei' o canal Universal e dois seriados, em especial, marcaram essa minha época televisiva, o "House" e seu mau humor caricato (deixei de acompanhar quando eles apelaram para o sobrenatural, tentando aumentar audiência, foi além do que eu podia aguentar) e SVU, com a detetive Benson (conhecida carinhosamente por 'cabeção' entre a família) e o policial brutamonte, que já chegava acertando tudo na porrada. O que mais me interessava eram os enredos, as tramas, o suspense. Também deixei de assistir naturalmente. A vida chamou. Rotina. O tempo passou. Os filhos cresceram. Há pouco, entrei em contato outra vez com as 'novelas norte-americanas' e vi que a policial Benson e seu cabeção ganharam espaço. O policial bruto foi para o saco. Observei o "House", continuou o mesmo, ainda bem que agora mais real e menos fantasioso (embora os pacientes ainda precisem estrebuchar para depois serem curados...ou morrerem). Mas o que realmente chamou minha atenção foi uma série chamada Lúcifer. Mas bah! Caraca!  Quem acredita em Deus, entende a existência do Diabo. Bom, só para resumir o Diabo subiu à Terra (fazendo pirraça ao papai) e foi passar férias em Los Angeles (ahahah mas que baita clichê, criatura!). Ainda para piorar, o Diabo, em pessoa, é um almofadinha, barbudinho, péssimo ator, que acaba com a imagem que se tem do cramulhão, e que ainda se apaixona pela policial lambisgoia. Um enredo fraco, com Lúcifer sendo apresentado como um putanheiro da pior espécie, que 'fascina' as mulheres quando as olha nos olhos. Sim, ele encanta os homens também. Mas para falarem a verdade. Opa! Será que percebi algo de machista aí? A mulher, fraca, fica submissa e quer 'dar' para o Mal desesperadamente; o homem, ser forte, acostumado a mentir, fala a verdade, diz os seus piores pensamentos, os desejos proibidos, tudo para o amigo Lúcifer. Será? Bom, apenas para registrar. Quem ainda não viu, que deixe para lá!

A.Yunes