28 de outubro de 2017

Hora de dormir

Hora de dormir

A manhã de sábado me pega acordada. Estive contando estrelas e, ao perder a conta, várias vezes, perdi também a noção do tempo. A imagem da despedida virou pano de fundo da minha mente. Pelo vidro do carro, teus olhos eram esferas de fogo, buscavam meu rosto. Mantive a mesma expressão de paisagem. Daquelas que a gente espera só um pouquinho e desmorona, sim, doeu muito deixar-te. Arrancou parte de mim. E depois da partida, eu, cabisbaixa, dolorida, sentei no meio da sala e chorei como uma criança, até colocar toda a raiva deste destino louco. Faz a gente cruzar com gente que ama, mas precisa deixar ir. Ah, Destino, tu não cansas?
As estrelas sumiram e agora, pela janela, o cinza reflete meu íntimo. Não quero café. Só queria dormir. Um peso que não havia faz meu coração bobo bater mais fraco. Expeli um veneno que não era meu. Fiz-te livre. Paguei minha sina e volto para casa. Cansada, mas feliz. Etapas são feitas para serem ultrapassadas, então, ficamos assim em busca de outro objetivo, outra meta que nos mantenha vivos. Todavia, o encantamento a gente guarda, bem no fundo, num cantinho. E quando a vida nos açoita forte, só ir lá, buscar na fonte a poesia necessária para andar mais um pouco e outro pouco.
O céu não ficou azul. As nuvens estão pesadas. Um ventinho frio bate insistente na vidraça, resquício da chuva de granizo do dia anterior. O café esfriou e não bebi. O livro de poemas continua em cima da mesa e me fita. Logo mais, penso. Agora é hora de dormir.


Dhenova

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