24 de outubro de 2017

Águia


Águia

teus olhos nos meus
por um instante
terra que treme
águas em ebulição
algo entre o transe
e a colisão sutil
de cometa e estrela
céu de conspiração

teus olhos nos meus
perdidos os traços
lápis e borracha
papel reciclado
desenhos a esmo
linhas fortes
triângulo abstrato
e outros recortes
penas, ossos, cenas

na força no bico
sabedoria nas patas
no teu voo livre
encontro resguardo
teus olhos de águia
deixam-me liquefeita
joelhos gelados
cela descoberta, feia

e assim indecente
não tenho o cuidado
ouço o grito no cimo
atendo ao teu chamado.

Dhenova

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