30 de setembro de 2017

Pêssego em calda


Pêssego em calda

Doce é a metade
do pêssego em calda
em partes iguais
comido sem sobras

E a tua boca
e a minha
cobertas de rosas

Exploram sozinhas
bocas ingênuas
circo sem lonas
picadeiro vazio
arquibancadas
cadeiras na areia
ah, chuvarada

Minha boca
e a tua
em nossa jornada 

Quando desce
pelo pescoço
a calda doce
vai trazendo junto
lábios dengosos
aquecem o mundo
e adoçam o todo.

Dhenova

21 de setembro de 2017

Feriado


Feriado

feriado
cama
quarto
colcha
vinho
corpos
copos
devaneios

seios
bicos
beijos
bocas
línguas
salivas
anseios

sussurros
delírios
gemidos
uivos
gritos
espasmos
suspiro
risada

olhos
sorrisos
sono
madrugada

Dhenova

14 de setembro de 2017

Descuido



Descuido

Broto de rosa
rubro
o dedo fino
espeta
Broto de rosa
e suas quimeras

Espinho grosso
caule forte
balança, enverga
segue ereto
em suas promessas
pequenino
Espinho grosso
nada lhe aperta

Dolorida picada
do polén do amor
espalhado das ruas
recebidos no broto
sementes de vida
não pedem socorro
voam livres
sementes de vida
não pedem socorro

Assim, a sina
broto e espinho
sempre vizinhos
num verso rimado
poesia florida
surge sem cuidado.

Dhenova

12 de setembro de 2017

Esmolas


Esmolas

assovio baixinho
irrompe no rio
garça magra
foge alvoroçada
outro desafio

às margens, o homem
envolto em panos
metais e plásticos
deixa rastros
de desatinos

ah, pobre rio
sujo, enfermo
agonizante

ah, pobre garça
correndo atrás
de um pouco de ar

ah, pobre vida
iludida
sempre pedindo mais.

Dhenova

4 de setembro de 2017

Riacho quente

Riacho quente

ao pé da montanha
plantei semente
árvore de carinho
capim sorridente
flor sem espinho
num riacho quente

observei um ninho
pássaro silente
volta da inspiração
questão de vertente.

Dhenova 

2 de setembro de 2017

Contrato

Contrato
.
soltei o cordão
preso ao pescoço
fiz a proposta
afinei com diasapão
violão sem corda
sem alvoroço

verso belicoso
esqueci na gaveta
apertei a esquerda
mão do coração
renovei o contrato
sem leilão

no valor do laço
busquei só perdão
vi luzes amarelas
janelas abertas
sorrisos claros
lá atrás, solidão.

Dhenova