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Dos rios que não cruzei... não sei!

21 de março de 2017

Sei o que não quero

Sei o que não quero

Sei o que não quero, expressões gastas
cansei desta merda que venho escrevendo
desenhando tracinhos, as mesmas palavras
coisas de ninhos e contos de fadas
mordam e fodam-se todas tralhas
nunca fui poeta, vão-se às favas
gente que pensa e que se acha

destes tontos e infames intentos
não sei quais são eles, é mesmo
adjetivos que brotam, escorrem
junto apartam-se, brigam, gritam
neste silêncio que desprezei
e naquele dia me apropriei...
calo sim, bosta!
Faço que quero, meu dilema é meu!

Arranquei com força cada remendo
joguei no espelho, antes de quebrá-lo
reconheci cada erro porco, caralho
também fodam-se os medos
estou a fim de um barraco
mulher de verdade é assim
dizem os fracos...

arranquei sem força os alinhavos
e o rasgo voltou
não há nada verde, apenas violeta
um quase roxo, falhas, esboços
algumas prendas
excelentes cisternas que guardo
irrigando a fêmea que me habita

deixei quem sou, escrito num diário
daqueles tipo adolescente
respondendo questões
rindo muito quem pensa que me ilude
deixei quem sou, mandei pra o cume
falsificadas sementes de jasmim
por favor, cuidem-se
mas agora não estou a fim, viste?

Mandei ao inferno e fiz o mapa
sim, escarrei na cara do diabo
ri, dancei e fiz graça
morri três vezes, sem couraça
esqueci os sinais... me uni a Morfeu
num balé sem sapatilhas
dança de rua sem briga
retrato imbecil da vida
poesia que conheceu um dia
tom colorido de realidade
ontem um preto e branco desbotado
agora não...

Quem sou? Sei lá, uma idiota que ainda acredita
que escrever de verdade
em mim não morreu, vou fazer minha parte
o resto que vá pra puta que pariu.

Dêh Poeta

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