14 de fevereiro de 2017

Cartilha

Cartilha

Com frequência, vejo marcas
Fartas linhas tão riscadas
Escritas por anjos vesgos
Cartas seladas com ópio
Assinadas por magos
Escondem degredos
Solidão vira madrugada
Vinganças são elaboradas
E o tempo passa...

Com obediência, crio música
Na estridência das notas
Rimas negras na madrugada
Reverberam os ecos
Erros crassos no concerto
Não explicam tortas falhas
Malha de aço, inconsistência
Cordas fracas são frágeis
Necessário persistência
E também muita arte
Mas o tempo passa...

Com tranquilidade, saio ao vento
Peito aberto, coragem
Chuva alguma me abala
Sem nenhum ressentimento
Crueldade, desalento
Tempestades me comovem
Desiludidos raios que explodem
Sobre cabeças tolas
O tempo continua...

Em mim, a fome
Jantar dos deuses
Ceias vazias cansam
Ainda que coloridas
Paladar de estrelas
Não é para qualquer boca
Assim diz a cartilha.

Dhenova

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