17 de fevereiro de 2017

Dos rastros que deixei



Dos rastros que deixei

Dos rastros que deixei
figuras muros tédios
Do amor que desdenhei
danças ritos mares
Dos detalhes que escondi
sirenas gnomos fadas
Do castelo que perdi
gigantes monstros mistérios

Dos caminhos que não vi
corpos e falas
Da beleza que esqueci
sobrevivi às falhas
Das ilusões de orvalho
perdi a inocência
Da nona vez que consumi
outra existência

Tudo fato
ato
tudo mente
e cala

Cada qual com sua essência
nada mais que valha a pena.

Dhenova

14 de fevereiro de 2017

Cartilha

Cartilha

Com frequência, vejo marcas
Fartas linhas tão riscadas
Escritas por anjos vesgos
Cartas seladas com ópio
Assinadas por magos
Escondem degredos
Solidão vira madrugada
Vinganças são elaboradas
E o tempo passa...

Com obediência, crio música
Na estridência das notas
Rimas negras na madrugada
Reverberam os ecos
Erros crassos no concerto
Não explicam tortas falhas
Malha de aço, inconsistência
Cordas fracas são frágeis
Necessário persistência
E também muita arte
Mas o tempo passa...

Com tranquilidade, saio ao vento
Peito aberto, coragem
Chuva alguma me abala
Sem nenhum ressentimento
Crueldade, desalento
Tempestades me comovem
Desiludidos raios que explodem
Sobre cabeças tolas
O tempo continua...

Em mim, a fome
Jantar dos deuses
Ceias vazias cansam
Ainda que coloridas
Paladar de estrelas
Não é para qualquer boca
Assim diz a cartilha.

Dhenova