23 de dezembro de 2016

Bradicardia


Bradicardia

E assim foram todos os rasgos, fechados um a um, com agulha esterilizada pelo choro de estrelas, costurados e feitas as laçadas, fechado outro e outro, até chegar ao bobo, que batia, batia tanto. Ainda tonto, desorientado. Tão louco, enamorado, enamorado. 'Ah, bobo! Tu és um fiasco', pensa a mulher dos cabelos de prata. Então, sem perceber, a linha enlaçou o coração. Apertou - sufocou seus anseios. Diminui seu ritmo pressão sentido. Amarrou-o com laço, bem dado ao meio. Sem artifícios. Enrolou-se toda, linha também tão boba. Ficou presa quando a mulher blindou o íntimo com chapas do universo perdido. Agarrada a linha ficou e o coração, agora, batendo fraco fraco. O suficiente para manter viva a mulher, cabelos de prata, e a emoção cativa, antes tão farta. E tudo ficou frio... escuro... sombrio. Até apagar a centelha. O sono virá. Breve... de uma vida inteira.

Dhenova

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