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Da fêmea que sou, ah, eu sei...

2 de novembro de 2016

Sem sombras



Sem sombras

beijo a madeira 
sinto o gelo nos lábios
quase a mesma sensação
dos cortes certeiros do aço
espada atravessada no âmago
por um ser nada encantado

e eu choro... choro doído
tenho claro em mim 
o cinza do asfalto

beijo as sombras
neste mar frio e revolto
não vejo as montanhas
no campo, flores mortas
no veneno da picada
bicho peçonhento 
dá fim a jornada

e eu choro... choro maldito
torto, sofrido

acreditei em contos de fadas
mas vi também que as bruxas 
nem sempre são malvadas

beijo as sombras
refaço meus círculos
desejo somente a sorte
a quem vive de artifícios.

Dhenova

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