28 de outubro de 2016

Desenhos que gritam

Desenhos que gritam
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E outra vez o tal muro aparece, nem branco, nem cinza, as ranhuras se mesclam, formam na retina um mar incandescente, lavra viva, branco, preto, cinza limo e os desenhos gritam... formas geométricas de bichos, o dragão que cospe fogo, as labaredas que ardem não alcançam o gato preto, sentado do outro lado, olhando o nada, vendo ninguém; também não afeta o urso deitado à beira do rio, enquanto espera que o peixinho dourado dê-lhe o abraço. Assim como essas formas passam desapercebidas ao cavalo alado, preocupado apenas com suas asas, de cores sedosas, tão claras... e as labaredas queimam longe da ave, que voa só, orientada pelo bico longo, faca que corta o concreto e retira, um a um, pacienciosamente, os cacos de vidro, encrustados em cima do muro, e as ranhuras se mesclam, formam na retina mar incandescente, lavra viva... e os desenhos que gritam agora num tom diferente.

Dhenova

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