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Da fêmea que sou, ah, eu sei...

11 de outubro de 2016

Abandono

Abandono

As páginas do livro foram passando e eu nem percebi. Não era um livro bom, mas também não era do tipo que precisava realmente ler, era o que me cabia naquele instante, correr os olhos pela letra miúda de cada parágrafo, sentir o cheiro de livro novo, ainda que já não fosse; ver a personagem principal, que era um porre, ser enganada pela vilã, heroina digna de filmes norte-americanos, trazia certo humor às vezes, a cama não me parecia tão vazia, e quase fazia eu esquecer de olhar novamente para o relógio… os minutos trouxeram as horas e fiquei ali, lendo um pouco… esquecendo um pouco… lembrando um pouco…  e esquecendo de novo. Até que a vilã morreu. O mocinho sumiu num barco em pleno horizonte e a heroina fez o fechamento do tipo: aguarde o próximo livro. Então, está. Já vai amanhecer e o sono, aquele bandido, esqueceu de me visitar esta noite. Não há lua lá fora, apenas um cinzento e próximo amanhecer. Sinto nas pantorrilhas as fisgadas, assim como nos braços, do esforço do corpo em aguentar a mente ativa. É hora de tomar um banho bem quente, abrir de vez os olhos, refazer a maquiagem. É hora de dar jeito na vida. Aproveitar o dia de trabalho, antes de um feriado… é hora de esquecer o sono, lembrar de coisas bonitas… esquecer o abandono, manter-se em pé outra vez, viva.

Dhenova

Um comentário:

  1. Espero que este livro não seja o meu, kakakaka.
    Legal, eu também já lí muito só por ler, por não ter o que fazer.
    E a danada da insônia por companheira...

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