30 de setembro de 2016

Com a Primavera...

"Mas era Primavera", escreveu Clarice Lispector no início do conto O Búfalo, o conectivo de adversidade abrindo o palco para a tragédia que aconteceria naquele zoológico, num dia bonito. Também eu venho falar de Primavera, sem 'mas'... apenas esta Primavera que chegou aos Pampas, que trouxe luz aos pastos, com um Sol inesquecível brindando tudo com seu riso. Primavera que aliviou dores, que no seu pólen aconchegou aceso tanto alvoroço; também no vento forte, a limpeza necessária dos dias nublados... num céu cada momento mais claro. Ah, Primavera, que com seu abraço acarinhou os açoites, e em tudo brotou flores... presenteou-me com Poesia em cada toque e hoje me sinto forte. A vida que havia perdido, num universo de ilusões, pulsa em meu peito, agora respiro...
Clarice também escreveu "Porque ela acreditava em anjos, eles existiam"... sim, ela tinha razão, quando a gente escreve a letra e vem junto a melodia pode-se ter certeza a existência fica em harmonia.
Dhenova

28 de setembro de 2016

Já é para sempre

Já é para sempre

"Já é para sempre", ele me disse, e não quis pensar sobre. Melhor seria fechar as portas, janelas, passar o ferrolho, selar as tais cartas, lápis sem ponta não é capaz de escrever um poema majestoso... sim, se não for assim, não será, sabe? O quê hoje sei sobre celas? Não, não prendo minh'alma, almas livres merecem poemas assim abstratos, merecem mais que lua cheia e 'malmequeres' ao redor de uma piscina azul esverdeada. Almas livres não sofrem. Também não sentem nada. Assim quero ser, alma livre ontem e hoje.

"Já é para sempre", e continuo pensando, mesmo que não queira, paixão é coisa danada, quando menos a gente espera vem e passa a perna na solidão... tão minha, não quero mais esse amor de folhinha, cansei destas ideias românticas, não vou mais sentir pena de mim como antes. Sofro mais do que devo e quando percebo terminou todo o encanto.

"Já é para sempre", sim, talvez seja, mas o quê vale? Já fechei todas as portas e janelas, já tranquei tudo e ainda me sinto exposta. Almas livres não precisam trancar nada... interessante, não havia pensado nisso... talvez seja melhor abrir a janela do quarto, quem sabe a noite fria me desperte, talvez eu sinta na pele o que já me comove... e vem o medo... melhor é permanecer inerte, enquanto escuto sussurros lá fora.

Dhenova

26 de setembro de 2016

Mas já era dia...



Mas já era dia…

Passadas na grama
tão silenciosas
roçar de tecido
na noite escura
buscam a fogueira
os pés descalços
encontram a corredeira
então, param…

e já era noite.

Adiante, do céu
uma estrela
joga o anjo torto
bêbado e tosco
com o pincel
na mão gigante
ele desenha versos
na pedra do rio
sorri ao vento
nada sombrio

anjo que protege a mulher
das passadas silenciosas
que buscaram a fogueira
e encontraram o vazio
da corredeira

mas já era dia.

Dhenova
(26/09/2016 – Já era dia)

É Primavera



É Primavera

Andei pensativa
descalça na mata
fiquei cativa
de emoções baratas
superficiais
e castas
andei cansada...

andei tristonha
com tantas mentiras
de todos os lados
tal versos sem rimas
até as minhas
andei perdida...

andei resignada
as dores somem
são pulverizadas
por atitudes boas
de gente com alma
anjos de luz
andei mais calma...

andei tranquila
os temporais passaram
o sol surgiu
secou as lágrimas
lá fora, agora
é primavera
e a vida que corre
sorri faceira
tal criança na praça

e como companheira
a esperança que abraça.

Dhenova