Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

18 de junho de 2016

Outono


Outono

São lágrimas que escorrem
atravessam as telhas
de um céu cinzento
que hoje homenageia
a entrada do outono

vez por outra
pingos mais fortes
fazem a sinfonia
batem desordenados
no balde de plástico
verde... sem ventania
talvez poesia
apenas compassados
um e outro
abraçados

são murmúrios secos
os molhados de chuva
trazem emoção aos olhos
versos soltos na rua.

Dhenova

2 de junho de 2016

Desvios amarelos


Desvios amarelos

Não me interessam os desvios
que escorrem amarelos
nas curvas do asfalto, lento
mal posso esperar a entrada
sair da fila pegajosa e crua
escolher a estrada mais segura
direcionar minhas culpas

quero o jardim de flores roxas
para pintá-las de vermelho
e também alguns cravos pretos
espalhados pelo muro
vou colori-los todos, um a um
talvez de verde escuro...

não quero as sementes de girassol
trazem tantas lagartas
que comem, cospem e matam
todas as outras, fadadas
a nascerem perfumadas na aurora
e morrerem secas, sem brilho ou cor
com o frio que se demora.

Dhenova

Voo sem glória

Voo sem glória

Sou exímio pássaro
voo sobre as ondas
faço piruetas e arrasto
as asas sem manha
sou exímio pássaro
que nada e mergulha
molha as penas
no gelado mar 
das próprias condutas
sem história
não há glória em rotas vãs
pássaro gelado
assim como em escolhas erradas
sem história não há fato
sem glória
não há escolhas vãs
exímio pássaro
sem glória não há fato
apenas histórias erradas.

Dhenova