2 de março de 2016

Caricato

Caricato

O quadro foi pintado à óleo, num abstrato em preto e branco; trazia linhas diagonais em vermelho agora esmorecido, um rosa estranho, nem antigo, nem vivo. O que antes poderia mostrar um grito, hoje não passava de sussurros, os mesmos que se ouviam nos corredores da velha casa, da grande e velha casa, onde morava Elisa, artista que pintou o quadro; Elisa suicidou-se no quarto, mas o quadro continuou pendurado na sala, exibia traços disformes, sem nexo; clichês eram os desenhos formados, como cerâmica de antigamente, quadrados e quadrados esparramavam-se, alguns ausentes, náuseas em ondas sentidas no estômago, dor intensa no pescoço. Elisa pendurou a obra na parede, ao lado da lareira, um pouco antes de aceitar que seu destino não era ser eterna, nem tampouco guerreira.

Dhenova

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Quem me acompanha...

Pesquisar este blog