Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

23 de janeiro de 2016

rio abaixo

rio abaixo

não teve dúvidas
o fogo se extinguira
apagado pela rotina
não sobrou chama
queimasse a sina
a mulher sabia
da última ida

mas não ficou triste
assumia as escolhas
suas, dos outros
aguentava rasteiras
da vida
e, faceira,
seguia, à deriva
era navio de carga
serviu o quanto podia
agora deixou a mercadoria
no porto... e seguiu
rio abaixo.

Enquanto isso, o homem
olhava perdido
um ponto
no forro, entre um prego
enferrujado
e uma falha
que parecia um sorriso

pensava consigo:
"Puta que pariu! Que mico!"

Dhenova

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