25 de janeiro de 2016

Fim



Fim

E assim se encerra um ciclo, mais um, com duração um pouco maior, mas se fechou no fim, exatamente como os outros, veio escaldante como o sol de verão, ainda que no inverno, foi um ciclo de frutos sinceros, deixou olhos molhados, íntimo machucado pelas proezas de egos, fez da rotina o verdadeiro inferno, mas passou, como dor de dente, deixou lembranças ruins...  assim, se encerra mais um ciclo em mim... agora é abrir a janela, deixar o ar puro entrar; esquecer as tantas celas, finalmente me amar.

Dhenova

23 de janeiro de 2016

rio abaixo

rio abaixo

não teve dúvidas
o fogo se extinguira
apagado pela rotina
não sobrou chama
queimasse a sina
a mulher sabia
da última ida

mas não ficou triste
assumia as escolhas
suas, dos outros
aguentava rasteiras
da vida
e, faceira,
seguia, à deriva
era navio de carga
serviu o quanto podia
agora deixou a mercadoria
no porto... e seguiu
rio abaixo.

Enquanto isso, o homem
olhava perdido
um ponto
no forro, entre um prego
enferrujado
e uma falha
que parecia um sorriso

pensava consigo:
"Puta que pariu! Que mico!"

Dhenova

7 de janeiro de 2016

ah, que perigo



ah, que perigo

penso em dedos
língua e pele
sinto a mão
que toca leve

ouço cheiro
de mel e suor
corpo trêmulo
desfaz os nós

abro a boca
recebo a tua
não sou boba
eu, ficar nua?

agora presa
estou rendida
teu corpo forte
é água viva

grito alto
cada mordida
quero o perigo
de ser bandida

então, acordo
mole e indefesa
outro sonho doce
deixa a alma acesa.

Dhenova

6 de janeiro de 2016

Nua... mas vestida

Nua... mas vestida

Assim me senti
mais do que nua
ainda que vestida
donzela de rua
macacão vermelho
presilha no cabelo
excitada e indefesa
lábios cor de ameixa
assim me senti
meio besta

então me enxerguei
pessoa tão crua
apostei na ida
alcancei a lua
mas vi o espelho
nele, os medos
estrela sem beleza
não esconde segredos
tem o dom do gelo
como defeito

foi o que vi
enquanto esperava
o nascer do sol
na noite sagrada
assim, sem claridade
sem força ou luz
apagou-se a vida
alta madrugada
nua... mas vestida
não desfiz a mala.


Dhenova






Escada de Brinquedo

Escada de Brinquedo

Chorei com o aceno leve
as mãos eram de fadas
encarei meio tonta o medo
da solidão na estrada

acenei com dedos frios
dentro dos meus limites
imaginei os tantos vazios
e meus olhos ficaram tristes

Mas o adeus era breve
curto como degraus
de escada de brinquedo

a tal saudade reluzia
por dentro, uma fé
e um grande alento

Dhenova e Anorkinda
16/10/2015