Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

7 de dezembro de 2015

Versos sujos

Versos sujos

Quero ser a letra U
do alfabeto erótico
sentir o acento agudo
cravado sem corte

ter a língua enfiada
enquanto os dedos
em ações coordenadas
são arremessados lentos

advérbios de intensidade
socados até o fundo
explodem rimas pobres
receber do G o sumo

aguentar o porte
e, em galope,
de P ter o rumo

e, assim, em urros
interjeições absurdas
sem noção de tempo
aceitar locuções cruas
gozar versos sujos
saídos de dentro
numa poesia impura.

Dhenova

Nenhum comentário:

Postar um comentário