4 de dezembro de 2015

Elementos

Elementos

E os castelos cor-de-rosa que eram cinzas foram destruídos. Um a um despencaram das bases. Não sobrou pedra inteira. Nenhuma para contar o que houve. Ninguém apareceu e sumiu, deixou vestígios da destruição, mas alguém que nunca será ninguém reconstruiu o que tinha sido destruído. E ele, não quer castelos, só uma casinha comum e espera, à parte, por uma decisão.
A vida é regida pela paixão, eu rodo rodo rodo e grito, uma desvairada que ri e chora e olha o anel na estante que ri também, ri, ri, ri, ri de mim assim como o velho gordo que decide tudo por nós, simples mortais, nós que amamos e perdemos e perdemos e amamos de novo. Nós que não perdemos as esperanças, culpados de espírito, cobaias deste jogo de horror. Baixemos a cabeça para ele e nos deixemos levar!
Enquanto isso, eu sou água que corre na sanga de pedra, sou água fria, gelada, que corro e não paro, arrastando folhas... e galhos. Onde iniciou? Não sei, não pergunte, aceite, só, sem mistificação. A corrida é mais forte, o chão falta. Despenco no abismo.
E viro vento, vento forte que queria destruir aquela árvore verde. Não quero mais, quero só passar por entre os ramos, imperceptível. O rumo mudou. Aquele sorriso já não brilha e o sol se escondeu. É noite e as estrelas não trazem um nome. Formam sim, o rosto de alguém, que nunca será ninguém, porque ninguém não existe mais. Mas esse alguém está longe, me deixou sozinha nessa noite. Volte alguém! Eu grito. Eu preciso de ti! Ele não escuta, está de costas para mim. Eu, que ainda sou vento. Então mudo de direção e, nessa mudança brusca, faço redemoinho e arraso o que estava de pé.
Tu me encontras perdida no sul e agora sou fogo. Queimo, destruo, aqueço. Aqueles tambores ecoam, as batidas cadenciadas, rápidas, tão fortes quanto a do coração, o meu, quando sinto que estás dentro de mim. Eu te quero! Grito de novo. Eu te adoro! Mas não ouço tuas batidas. Então, para chamar a atenção, me faço maior e milhares de fagulhas se desprendem. Te machuco. E foges do ardor, vais curar as feridas em outro lugar, não aqui, não comigo. E choro, choro muito e me torno água outra vez.
Terra? Algum dia, talvez, só terra...
Hoje, no entanto, vivo no ciclo fatal daqueles que para sentir necessitam morrer.

Dhenova

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