26 de novembro de 2015

Assim, com carinho


Assim, com carinho

era o que precisava
a mão em minha face
olhos rasos d'água
num gesto tão doce
mostram compaixão
e certa bondade
aliviam a dor
que vem da idade

era o que queria
do coração ferido
a infinita cura
sem nenhum castigo
que me vejas crua
e não faça sentido
essa conversa dura
não vale o rito

era o que almejava
o sonho em azul
afinal na bagagem
um bilhete de luz
há tanto cansaço
em ser só ninguém

por isso, assim
com carinho
deixa eu ser
só alguém
no teu caminho.

Dhenova

Cor de Prata

Cor de Prata

Foi quando abri os olhos, foi ali, percebi que havia sonhado, estava no meu quarto... e a Poesia fugiu, talvez tenha saído pela janela, pensei, tentando abrir mais os olhos, mas vi a cortina fechada, janela lacrada, a Poesia não havia saído por ali... com dificuldade, procurei a porta, estava trancada, não havia como a Poesia danada ter se esgueirado, chave na fechadura, nenhuma loucura entraria por ali... voltei a fechar os olhos... resquícios de um doce sonho, em que versos acariciavam a face, rimas ricas criavam imagens e notas graves repercutiam no estômago, arrepiavam a pele estonteantes metáforas, em estocadas vinham as coerentes estrofes, tudo pleno e vívido, intenso e lúdico no todo... e o título coroava a obra, apontava o gran finale “Performance das Letras” em destaque... novamente abri as pálpebras, a visão agora turva, talvez soubesse onde poderia ter ido tanta doçura... levantei da cama, fui até o espelho, vi um rosto pleno... ali, encontrei o que procurava, vi que a Poesia bandida havia se escondido em meus olhos, deixando-os cor de prata.

Dhenova

17 de novembro de 2015

Tango

Tango

Dancei sem receio
acreditei em mim
cansei de segredos
mostrei minha face
vivi tanto no fim
outra coisa é bobagem

dancei assim
meio doce, meio ousada
busquei felicidade
onde não havia nada

dancei sem ouvir
as notas doces
de um violão azul
segui em frente
dancei sem partner
emoções ao vento
existi pela metade

dancei e não terminei
nenhuma das coreografias
espetáculos toscos
não mereceram melancolia
todavia, em outros
havia encanto, poesia
é por esses que dancei
pelo que me deu alegria

sim, apresentações acabam
terminarei cada um dos atos
e quando a luz for apagada
estarei dançando um tango
nos lábios, uma rosa vermelha
no coração, a melhor bagagem
nos olhos, uma vida inteira
de amor, paixão e coragem.

Dhenova

11 de novembro de 2015

No vale profundo


No vale profundo

quero a pergunta
para o dilema
que criei ontem
sobre outro tema

quero a questão
aquela desvairada
permitir o tesão
na boca desalmada

quero a dúvida
sobre o conteúdo
da poesia da vida

no vale profundo
encontrar a reserva
dividir os mundos

quero a resposta
pra tua questão
não sei se a rota
vale a colisão

assim, como a rua
continua escura
talvez acender a luz
não seja seguro
o melhor a fazer
é saltar do muro.

Dhenova
6/11/2015

10 de novembro de 2015

Sei que me conheces



Sei que me conheces

sei que vais entender
os meus tantos silêncios
minhas fugas, os medos
essa aparente indiferença
sei que vais sentir
e me sentir em tua presença
em momentos como esse
que a alma pede poesia
preciso me afogar em rimas
que provoquem fantasias

sei que me conheces
compreendes as ausências
quando se perde o controle
a vida explode sem coerência
sei que vais ver ao longe
o horizonte avermelhado
nem por um instante
imagine-se abandonado
eu vou... e volto
nesse universo
estamos a salvo

canção de notas suaves
invade o jardim encantado
sabe-se que não há milagres
é o real que fala mais alto

ainda assim

sei que me ouviste cantando
junto ao piano
sei que me quiseste anjo...

sinto

mudei os teus planos!

Dhenova

6 de novembro de 2015

Poesia de Motel

Poesia de Motel

é... andei

andei por aí
vi inconsequência
aliada à maldade
vi indiferença
como grande verdade
pouco me importei
com algumas cenas
falas caricatas
não merecem pena
não deixam marcas
poesia de motel
tende a ser barata

andei por aí
e ri

ri da cara feia
esgar da boca rasgada
da cor esmorecida
que não me disse nada

andei por aí
e continuei a rir...

corri quando vi por aí
a irresponsabilidade
acorrentada à argumentação
há tanta habilidade
em alcançar maior ilusão

corri por aí
e me despedi

dei adeus à falta de paixão
a mulher que me habita
exige de mim a emoção
da personagem descrita
se não for assim
melhor cada um
cuidar da sua vida

corri por lá
andei por aqui
então, parti.

Dhenova
5/11/2015

Quem me acompanha...

Pesquisar este blog