Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

27 de outubro de 2015

Afagos de Fogo



Afagos de Fogo

naufrago em tua retina
meus olhos, afagos de fogo
sombras projetadas sem rima
busco no mergulho o voo

amanheço molhada e cinza
na areia da praia
coberta de falhas
visto-me de vento frio
esfrio, acalmo
percorro nua a estrada

maquiagem azul, quase violeta
pés descalços, sem bagagem
esparramo tons sobre os cometas
na trilha me basta a coragem

sim, naufrago em tua retina
sem rima, sem sinas ou iras
sombra projetada na parede

é hora, de apagar a porta
fechar a luz
trancar o armário da cozinha
...

"É hora, amor, de esperar lá em cima!"

Dhenova

Um comentário:

  1. Oi Dhenova, estou levando este poema para nossa coletânea "Polinização Poética". Está certo? Abraços

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