26 de agosto de 2015

O Banho

(Museu da Baronesa - foto Andréa Iunes)

O Banho

Dentro da banheira
cabelos soltos
a Baronesa sorri
no semblante
um quê de mistério
e um bem-te-vi
mais pra sério
canta um hino inteiro
sem nenhum tédio
encantada, a nobre
fecha os olhos e quase dorme...

nesse momento, pássaro curioso
observa-lhe o rosto, os lábios
e um ansioso raio de sol
busca-lhe com ânsia o gosto
de forma quase natural.

Dhênova
25/08/2015

25 de agosto de 2015

Lua de Coração



Lua de coração

Foi quando a lua virou um coração
a luz me deixou meio nua
exposta à irradiação
o céu ficou rosado e em meu peito
um tum tum tum estranho, sem jeito
desfez todo e qualquer dilema
e ainda que extravagante
o poema assim às avessas
e nada elegante
surgiu entre os galhos escuros
iluminando a rua

eu que andava só
agora me vejo absurda
continuo andando
em meio a desafios constantes
com a luz de coração
que irradia a lua.

Dhenova

19 de agosto de 2015

Desiludida

Desiludida

Olho à rua
a noite se aproxima
chuva que pinga nua
frio que enregela a rima

Folhas em branco
espalhadas pelo chão
encolho-me no manto
pela falta de inspiração

Pego o copo vazio
meus dedos avermelhados
triste é gente senil
e seus desejos molhados

Entristeço enfim
desiludida com a vida
sem calor, sem dor
sem poesia, sem alegria.

Dhenova
11/10/2009

Fechadura


Fechadura

Respiro fundo
mãos suadas
unhas apertam-se às palmas
nariz na madeira fria

tomo coragem 
e abro a porta
deixo entrar o ar
quente e molhado

abro a porta
e num lapso
encontro à rua

deixo a chave
na fechadura
por dentro

marcados os passos
na avenida
da vida.

Respiro fundo
na avenida
da vida.

Dhenova
17/7/2010

18 de agosto de 2015

Teus reflexos


Teus reflexos


O que vem de ti
reflete em mim...


Se o espelho mostrar
teu sorriso mais lindo
saibas que em mim estará
o mesmo riso incontido

se no espelho estiver 
marcado o teu carinho
em mim descobrirás
ternos abraços e um ninho

se do espelho saírem 
fagulhas da tua paixão
encontrarás em mim
o mais forte tesão

se o espelho refletir 
ainda algum amor
transbordará de mim
sentimentos com fervor...


e quando o espelho
delinear tua frieza
em mim serão escondidas
todas e quaisquer belezas

quando o espelho
denotar tua indiferença
ficarei por fim curtindo
minhas estranhas crenças

quando o espelho
transparecer o teu mutismo
ficará por fim em mim
um silêncio bem tranquilo

e se em algum momento
no espelho surgir tua insegurança
cobrirei de sonhos meus medos
e voltarei pra minha concha.


O que vem de ti
refletirá sempre em mim...


Dhenova

10 de agosto de 2015

Trova Livre Exilada

TROVA LIVRE EXILADA

só uma metade já serve
e eu cubro com uma cereja
hoje tudo pode
menos melacueca de pagode
ou ranço de guampa sertaneja. (WS)

Com pouca humildade,
mas pura substância
E castelhana sonoridade
exilou-se na estância
o verso do poeta cruzaltense (DB)

oh, poeta, não se enerve
é só chamar no ferve-ferve
e a parceria já verseja
a poesia dá o bote
alcança macia a sorte
da companhia benfazeja (Dhe)

imperioso talhe do nosso nariz
Quis caricaturar nossa parceria
Até livro contigo já fiz
Como quem rouba melancia
Posso dizer que já fui feliz (DB)

eu já tenho certeza
que quando penso forte
o tico fala ao norte
o teco responde ao sul
que a essa hora da noite
o céu já não é mais azul (WS)

Pobres poetas de sorte
cobertos de impassível amizade
A guaiaca já foi forte
em imbatível sincronismo de vaidades (DB)

melhor é deixar a correnteza
levar assim sem recorte
versos de alguma beleza
vindos do sul ou norte
espalhar delicadezas
por onde quer que toquem (Dhe)

Obscuros como pedrinhas
No fundo das àguas pesqueiras
Jogando com as marolinhas
Sem prever crises altaneiras (DB)

antes que as fontes sequem
liberamos as correntezas
comprei uma cachaça forte
deixei um copinho sofre a mesa
caso a gente se entorte
declamaremos de língua presa (WS)

Sentiremos os carvalhos
das águas batizadas
Sem as teclas de atalhos
que já andam consagradas
nos trucos de fakes e falsários (DB)

Dhenova, Wasil Sacharuk e Decimar Biagini

Nunca por engano

(Wasil Sacharuk)


Nunca por engano


Quando o latido irrompe na madrugada
da janela, cinzentas luzes parcas
revelam o dia que está chegando
o sono não mostrou a cara
nem tampouco deu ânimo
letras são forjadas
talvez num desafio
nunca por engano

já sei que poesia
jamais é um engano

Quando os resquícios da noite acordada
pela tela, letras que dançam opacas
revelam que a noite está morrendo

nunca por engano.

Dhenova & Wasil Sacharuk

Iluminada


Iluminada

Quando os raios dourados
envolvem como abraço
o íntimo desabrigado
o coração agradece o laço
faz da noite o outro dia
permanece encantado
com a iluminada poesia.

Dhênova

6 de agosto de 2015

Para viver...


Para viver

Lá fora, o dia é cinza e frio
as árvores balançam forte
o vento gelado cobre a cidade
dizem que vem do norte

eu apenas observo
trancada em minha cela
os estragos que vem fazendo
esse senhor das guerras

oh, por favor, chegue Primavera
eu preciso de sol, poesia e amor
para viver nessa terra.


Dhenova

5 de agosto de 2015

Decepção

Decepção

Sentimento destrutivo é a decepção. Ela se agarra às panturrilhas, endurece as pernas, aos poucos, até doer, para depois vir a sensação de desmoronamento, parece não ser possível ficar em pé, corpo dolorido, mente doendo... e essa paralisia sobe pelo estômago, o ar falta, surge uma fina linha em cima do lábio, suor que brilha ainda que frio... e, num espasmo, o veneno encontra o coração, sem dor mata a esperança... decepção, é certo, desconhece o significado do amor.

Dhenova

4 de agosto de 2015

Sobre o que sei...

Sobre o que sei...

O que sei hoje me basta, sei das tantas tramas, das cruéis vinganças, de gente que é gente e outros que envergonham a raça. No fundo, cansei do pastor e de suas pirraças, e seja como for eu quero é andar, ninguém me para, ainda que vá devagar, quero as mãos dadas; o que sei hoje me segura, me dá a curvatura certa para continuar em linha reta e enxergar o melhor. Se o vício de poeta trouxer o clímax à leitura não serei eu a dar fim na loucura. O que sei hoje me empurra, em frente, nada inconsequente, firme, para aproveitar cada minuto da jornada; o que sei hoje me ilumina na pior escuridão, saber do brilho na retina não tem comparação, se essa é minha sina que então morra de paixão.

Dhenova

Voando leve...


Por do Sol

Por do Sol

Quando o mar beija a areia
e as ondas travessas
enrolam-se inteiras
na pedra lisa onde a sereia
assiste ao por do sol

surpresa ouço meu canto
homenagem ao colorido do céu
do horizonte sem breu

apaixonada, olho a água
sem correntezas,
mas não parada

encantada, esqueço a lida
e gente bizarra
mal amada

emocionada, vejo um rosto
e, na areia, pegadas.

Dhênova

Pérolas aos porcos


Pérolas aos porcos

E que assim seja feito
voltar ao princípio
tudo sem efeito
buscar no artifício
o que se tem direito

encontrar no chiqueiro
velhas e tolas rotas
as cercas do cativeiro
são sempre idiotas
os porcos como escudeiros
em simples derrotas

e espalhar pela lama
as pérolas que um dia
foram de uma dama
e agora são sua sina.

Dhenova

3 de agosto de 2015

Fênix


Hoje sei que o processo doloroso, arrancar penas, unhas e bico, acabou... as penas nasceram mais fortes nas raízes, as unhas surgiram mais afiadas, torneadas, e o bico longo está calado... e continuará! 

Dhênova

Quem me acompanha...

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