8 de julho de 2015

Eu me permito...

Eu me permito...

Hoje eu me permito olhar a rua com todas as vivas cores que ela pode mostrar, eu sei que estão lá, e ainda que seja inverno e o cinza se mostre assim meio terno, sei do verde musgo que colore a pontas das folhas, das árvores seminuas da avenida movimentada, elas estão congelando aos poucos, a terra é preta onde as raízes se escondem; no céu, no cinza das nuvens carregadas há uma neblina gelada  que se espalha aos poucos, com pingos fininhos ainda que doces, sei do azul intenso que faz a noite, sei de tudo isso, e dos açoites... 

olhando lá fora, eu me permito ver, triste e risonha, os pardais tão da cor do quadro inteiro, breves em seus voos, pousando vez ou outra em cima das telhas de barro; vejo a estrada de cimento clarinho, lá do outro lado, sei que preciso de um novo recorte, nova fotografia, sem efeitos... preciso recolocar a roupa, andei nua por estes tempos.

Hoje eu me permito sentir emoções sem culpa de estar certa ou errada, sentir nada tem a ver com isso, é como comer um pedaço de lua com sorvete de pistache e recitar poesia, sem alarde... é, também sei dos cortes na pele que o vento frio pode fazer, sei das dores que atravessam o peito, do sangue vermelho correndo até as palmas, sei dos medos, mas cansei dos degredos... hoje eu me permito ser quem começará o baile. E vamos à primeira dança!

Dhenova

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