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Dos rios que não cruzei... não sei!

31 de julho de 2015

Alcova



Alcova

Foste preso
e condenado

a viver marcado
na testa a meia lua

no peito
a maciez do meus seios

a tua alcova
o meu leito.

Dhenova

Luz Dourada

De repente, vi a luz dourada
ela repousava no caminho
vi que ao redor tudo brilhava
iluminava os pequenos ninhos

guardei-a na palma da mão
com carinho, encostei n'alma
de mansinho e muito calma
coloquei-a outra vez no chão

continuarei andando pela estrada
escolherei qualquer outra via
sem esquecer da luz dourada
que um dia mudou minha vida

Dhenova

De querer...


De querer...

quero sentir tua respiração
na minha testa
ver plena a condução
dançar nesta festa

quero morder tua boca
passar a língua nos lábios
só então ficar louca
com a invasão dos espaços

quero falar baixinho
'vem, assim, de leve'
delirar com teu carinho
desfazer os 'até breves'

quero ouvir tuas entranhas
carne vermelha servida
praticar minhas manhas
sem me sentir perdida

quero romper com a solidão
deitar e dormir em teu peito
saber a letra da canção
dividir o mesmo leito

Dhenova

30 de julho de 2015

Leve

Leve

A noite chegou tão rápida
escuridão deu a mão às estrelas
e a luz deixou sombras estranhas
traçadas as rotas do cometa

inspiro suave o perfume
amadeirado quase mágico
lembro do doce lume
e guardo os momentos cálidos

o toque sem querer dos dedos
faces coradas, palmas suadas
sorrir, comer e falar sem medo
vivas às discussões acaloradas

leve, a alma desfila
espera sucumbir a claridade
inteira ninguém me guia
sei quem sou de verdade.

Dhenova

29 de julho de 2015

Fragmentos de um Poema

Fragmentos de um Poema

Quando o fogo se extingue
apaga-se a chama
sem chilique ou drama
é preciso pegar a bagagem
e silenciosamente
fechar a porta da frente
com suavidade...

lá fora, o universo queima
letras lançadas ao léu
sem tristeza, vou sem teima
procurar em outro céu
fragmentos de um poema
perdido em algum mausoléu
que me faça inteira
corajosa em meu batel.

Dhenova

28 de julho de 2015

Desenhadas com sonhos

Desenhadas com sonhos

As portas abertas
mostram o caminho
indicam a saída
fuga do destino

as portas falam

gritam agonia
lembram desditas
sofridas na vida

(clamam amor
desejo,
calor e beijo)

as portas enganam
levam a outros planos
desenhadas com sonhos
ficam imortalizadas...

as portas se fecham
num viés, de pronto
sem qualquer aviso
deixando o mundo torto

algumas se abrem
em outro lugar.

Dhenova

24 de julho de 2015

Calado

Calado

As letras emudeceram
e foram apagadas
permaneceram as folhas
todavia, manchadas
alguma borrachas
apagam é nada...

então, certos versos
beliscaram a pele sem viço
arderam-lhe a face as lágrimas
de vermelho ao rosa antigo
desinfetados foram os carmas

e o Poeta chorou as últimas letras
sobre um poema que cala.

Dhenova

20 de julho de 2015

Sem receio



Sem receio

Colhi as flores mais belas
coloquei em vasos de barro
espalhei-os como aquarelas
tracei a história que narro

nua mergulhei na água azul
deixei os olhos bem abertos
em nosso universo sem tabu
desfiz conceitos concretos

e te encontrei no meio
perto do fim, na passagem
lá no alto o sol sem receio
convidou à outra viagem

ergui-me das profundezas
abri os braços para o amor
inundou-me a delicadeza
de mesmo no inverno ser flor.

Dhenova

16 de julho de 2015

Gastos

Gastos

Chega um dia e vem a certeza
os nós desataram-se, esgaçados
por esse senhor que é o tempo
não houve templo sagrado
que manipulasse o efeito
perderam a firmeza os laços
e sofrer foi só o direito

chega a hora em que olhar no espelho
clama, arde, implora
ver seu eu sem medo e ir embora
vai trazer sossego
a paz que necessita a alma
por isso, vou sem medo
não importa o frio e a chuva lá fora.

Dhenova

O que resta...

O que resta

E o que foi ilusão, acabou-se
sem choro, mágoa ou rancor
deu-se fim, foi-se
extrapolou o que era dor

E o que foi emoção, espalhou-se
sem medo, sofrimentos, anseios
impregnou os mares, molhou-se
deixou lamentos, talvez segredos

E o que foi sensação, quedou-se
não aguentou tanta pressão
de uma só vez, evaporou-se
o que um dia foi sofreguidão

E o que resta... um sorriso
triste mas nada desesperado
nem sempre encontrar o paraíso
será um ritual sagrado

algumas portas são abertas
às vezes sem juízo, é certo
deixam a magia descoberta
e no final nada mais faz sentido.

Dhenova

Desafios

Desafios

Não temo os raios que clareiam a noite lá fora, são poderosas fontes, alquimia que pressinto em minhas veias, não tenho nem quero o limite de viver com medo, quero expor o que levo dentro, só isso, sem nenhuma cena. 
Sei da água que cai em pingos e molha o telhado, ela é fria, mas me resguardo, bem no fundo acho graça de alguns comportamentos absurdos, tanta gente infeliz por nada, tanta gente precisando só ser amada.
O gelo que foi endurecendo meu coração já não me incomoda, sei que vou mantê-lo vivo até que eu morra... é, faz sentido, assim são feitas nossas próprias masmorras. Mas não estou aprisionada, tudo o que não sinto não faz madrugada... não sei, nem quero, dos perigos da subida em declive, da minha jornada sei eu, também sei quem me dá abrigo.
Não deve pedir amor quem não sente nada, é hipocrisia danada esse tipo de postura, quem vive de imagem perde a candura, aposta em emoções fajutas, perde por completo a compostura, enganar os outros é feio, mas cada qual tem sua consciência e culpas, há pessoas que necessitam viver de arremedos, outras sem conduta... pra grande maioria, falta talento.
Aprendo todos os dias, quando vejo os sorrisos dos meus filhos, que amor de verdade existe, que consideração, carinho e respeito não se exigem, que paixões são breves, que o que vale a pena mesmo é ser feliz, e o resto se consegue em um ou outro desafio.

Dhenova

8 de julho de 2015

Eu me permito...

Eu me permito...

Hoje eu me permito olhar a rua com todas as vivas cores que ela pode mostrar, eu sei que estão lá, e ainda que seja inverno e o cinza se mostre assim meio terno, sei do verde musgo que colore a pontas das folhas, das árvores seminuas da avenida movimentada, elas estão congelando aos poucos, a terra é preta onde as raízes se escondem; no céu, no cinza das nuvens carregadas há uma neblina gelada  que se espalha aos poucos, com pingos fininhos ainda que doces, sei do azul intenso que faz a noite, sei de tudo isso, e dos açoites... 

olhando lá fora, eu me permito ver, triste e risonha, os pardais tão da cor do quadro inteiro, breves em seus voos, pousando vez ou outra em cima das telhas de barro; vejo a estrada de cimento clarinho, lá do outro lado, sei que preciso de um novo recorte, nova fotografia, sem efeitos... preciso recolocar a roupa, andei nua por estes tempos.

Hoje eu me permito sentir emoções sem culpa de estar certa ou errada, sentir nada tem a ver com isso, é como comer um pedaço de lua com sorvete de pistache e recitar poesia, sem alarde... é, também sei dos cortes na pele que o vento frio pode fazer, sei das dores que atravessam o peito, do sangue vermelho correndo até as palmas, sei dos medos, mas cansei dos degredos... hoje eu me permito ser quem começará o baile. E vamos à primeira dança!

Dhenova

Universo de lonas



Universo de lonas

Não perco tempo com elogios falsos, nem armo circos, universo de lonas, em terrenos particulares, ou sem donos, as redes são verdadeiras e os palhaços vertem tristezas, meu espetáculo é rico, em forma e grandeza, não espero menos em minha mesa... não gosto de cenas estudadas, meu mundo é redondo, faz algum tempo que desalinhei os esquadros, sustento meus sonhos, e mando às favas ilusões baratas, não se engane comigo, nada tenho de fraca, tenho as mãos abertas mas são visíveis as chagas. Fiz a escolha certa, quando embarquei na fragata. Tudo o que não for descoberta, já não me vale nada.


Dhenova

6 de julho de 2015

Sobre frieza...

Enquanto teu peito
permanece rio
fico sem jeito
procuro o despeito
encontro o beijo
que provoca arrepio
desprovido...
cinza, sem brio

enquanto os lençois
estão gelados
escrevo o anúncio
pedindo o resgate
emoções nuas nas faces
rostos despreocupados
ilusões de um prelúdio
a dois...

enquanto a madrugada
vai embora
e o azulado vira amarelo
lá fora
alguns tons lembram o eterno
"quem nasce frio
desconhece o inverno".

Dhenova

4 de julho de 2015

Metamorfose

“Fechei as cortinas, quero estar a sós com a imaginação, não deixarei que a luz da rua entre, que invada os cantos do meu quarto, que me encontre insone pela madrugada, quero fechar os olhos, assim como fechei as cortinas, quero dormir e acordar outra, talvez sem nenhuma rima... quero permanecer um mistério, carregar meus fardos e medos, não ser levada à sério, e  não ser um segredo. Não tenho a pretensão de ser apimentada, mas doce também não sou, às vezes fera, às vezes dragão, monstro domado, só ilusão. Fujo da sina de ser poeta, fechei as cortinas e agora quero dormir o sono das borboletas.”

Dhenova

2 de julho de 2015

Meu pacto



Meu pacto

Hoje uma parte de mim silencia
cansada de guerras falsas
pessoas que usam, que são usadas
e no fim todo mundo vale nada

hoje uma parte de mim se retira
num acordo mútuo de sangue
meu eu, cabeça e peito
sempre tão itinerantes

Hoje eu enterro as letras
voltarei a dormir meu sono
esquecidas das crueis bestas
acordarei num universo risonho

Hoje mais uma parte de mim
pede silêncio, apressada
Os meus olhos fecham
sinto a rigidez dos braços

e a mente se eleva
mãos e pés se soltam
a existência se acaba
tudo entendido na marra

dormirei alguns anos
minutos, meses ou horas
minha noite é eternidade
quando o coração diz adeus

ah, poesia, talvez algum dia.

Dhenova
02/07/2015

Acrobacias



Acrobacias

O sol elegante e meigo
se fazia tímido de manhã cedo
e o frio congelava só por fora
os pássaros riam à vontade
aqueciam as asas em acrobacias
rodopios alaranjados e disformes
e a brincadeira era a vida
viver sim e não só existir

e assim nasceu outro dia
gelado e azul, 
em boa companhia
aqui pra os lados do sul.

Dhenova


A hora



A hora

Então, foi tudo mentira
tanto tempo perdido
orgulho e ego feridos
sem melancolia ou ira
agora é o fim... só isso

Então, aconteceu assim
disfarces e bobagens
malas e tolas viagens
emoções gris e senis
agora é só 'sim'
deixa assim... é isso

Então, chegou a hora
voltar às costas
a coisas mortas
e finalmente ir embora
agora é a hora 
de acabar com isso.

Dhenova

A noite passa...



A noite passa...

Eu leio um livro de poesia
enquanto a noite passa
e, aos poucos, sou preenchida
por ilusões fartas, emoções falhas
tanta coisa torta... e morta.

Mas meu eu se inspira, 
farreia, se dói...
se entrega; se esgaça
agudo, sem regra
acalanta, atropela
numa corrida veloz...

tudo para tentar a magia
no ato que vem depois
na madrugada tão fria
sentir a ácida melancolia
sorrir pra esperança que se foi.

Dhenova

Quando perco...


Quando perco...

Quando me some o reflexo
e não há nenhum espelho
que me defina com nitidez
sei que ficas perplexo
e sussurro um conselho
rainha e plebeia da timidez:

'quando eu me desconecto
e a paixão ri em vermelho
no rosto some a palidez
mas fujo do doce amplexo
suporto a dor de um relho
num ato cruel de estupidez

quando esqueço o complexo
universo triste e velho
o que me rege é a mudez
então componho em versos
nem rimas ou termos certos
só uma estranha sensatez'

Dhenova

Quem me acompanha...

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