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Da fêmea que sou, ah, eu sei...

4 de junho de 2015

Vermelho veludo... e dourado!



Vermelho veludo... e dourado!

São passos silenciosos aqueles que trilham o nada, até a entrada, aquela entrada que nada dizia a quem não soubesse, daquela fenda, do nada que encobria, talvez do desespero, do medo, eram passos silenciosos os que se perdiam. O sossego não havia. Apenas a certeza de andar e andar, e de cabeça erguida. Eis que surge de repente, em meio a neblina, a construção que muito dizia, que tanto dizia e calava. O vermelho cobria os degraus até a porta. Acima, da camada cinzenta, a pobre lua minguante aguardava o desfecho, mas nada via, nada ouvia, apenas esperava a madrugada, agora tão fria... o vermelho chamava, os degraus gritavam palavras de ordem “venha”, “toque”, “perceba”... o calor vinha em ondas, era assim que se queria, tudo pulsava, vivia. E os passos continuaram silenciosos, ainda abafados pelo veludo gasto, no hall imenso daquela construção já desmanchada, o tecido rubro, que cobria parte daquela escada, aquela escada que dava para os andares de cima, pedaços espalhados, ruínas. O corrimão dourado, sem brilho, mostrava partes descascadas, certa era a glória que um dia havia tido. Agora tudo acabara. Mas os passos sabiam onde iam, subiam mais e mais, até encontrarem espaços abertos, a escada se perdia, assim como os passos, que reapareciam, mais em cima, em outros andares, passos teimosos, que precisam encontrar um quarto específico. E os minutos tornaram-se horas, até que os passos pararam, em frente à porta, número 132, ali ficaram. As mãos não deixaram marcas quando empurraram a madeira escura, a maçaneta dourada pendia arrasada como todo o resto. Apenas o carpete vermelho ainda mostrava a imponência do hotel, que abrigava agora apenas fantasmas; foi esse mesmo carpete que mostrou o espelho, um espelho imenso, quadrado, que cobria parte da parede quase branca, agora amarelada. Os passos pararam, buscaram a visão tão conhecida, o rosto de um homem, como um retrato. Todavia, depois de alguns instantes, o homem percebeu que no espelho nenhuma imagem havia. Ele também já não existia, era só um espectro e não sabia.


Dhênova – 28/05/2015

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