8 de junho de 2015

Sem maquiagem



Sem maquiagem

Já é dia. Alguns raios teimosos insistem em driblar a luz da cortina e invadem o quarto. Encontram meus olhos, não há medo neles apenas uma dura e irretocável verdade. As olheiras acentuadas pedem um corretivo, uma base, um pó... um conjunto milagroso que mascare o que vejo, o que sou... Envelheci por estes dias, mas aprendi, há lições que valem a pena, outras não, assim como desisti das sombras, cappuccino agora é só café, também guardei os delineadores, são tão enfadonhos dentro de seus exatos traçados... é, quis a densidade, assim como blush rosado, num poema abstrato, nem tentei pedir socorro, larguei o lápis, o rímel, abri o creme de limpeza e busquei outro espelho. Sim, já é dia e no meu peito não cabem mais ventanias, nem fixadores, apenas leves e perfumadas brisas. Agora é seguir em frente, sem maquiagem, aproveitar o sol no rosto, traduzir a liberdade num sorriso, sem batom.


Dhenova

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