Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

22 de junho de 2015

As letras morreram...

As letras morreram
foram assassinadas
por seres resistentes
contadores de casos
talvez sejam crentes
por falsas jornadas

e talvez não valha nada
mas as letras foram assassinadas

extirparam as vogais
esgaçaram as locuções
fizeram em pedaços
todas as orações

o sangue dos advérbios
desceu quente às escadas
esquartejados foram
os adjetivos gastos
engoliram uma a uma
as vírgulas
roubaram sem dó
todos os pontos
sobraram só dúvidas

massacradas as preposições
na falta de traços
desordenados os artigos
indicadores do abismo
dos textos narrativos
e da Fantasia que é a Poesia.

Saiu no jornal local:
Mortas foram as letras
por seres senis
e desleais!!!

Dhênova

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