29 de junho de 2015

Retrato



RETRATO

Sou aquela que te persegue
nos sonhos
deito em teu leito
enquanto dormes
sossego no peito quente
e te beijo os lábios

Não sou indecente
apenas sincera
um pouco demente
sou anjo e fera
tua sombra
e tua lanterna

Não busco outra boca
não me interessam letras poucas
é tua devassidão que fascina
tua genialidade que brilha
lábios frios, minha sina

E assim amanhece
tua língua e a minha
grudada uma na outra
lá fora... some a neblina.

Dhenova

A Lua e Eu


A LUA E EU

Busco-te no parque
espalhado em raios e folhas
no azul prateado
em cada ponta
teu rosto em cada tronco

A luz da lua derrama-se
pelo caminho
trilha por entre a mata
cuja linha de chegada
é a água

Lago que reflete a musa
radiante e sedutora
que induz versos
assim tão à toa

e permite que a madrugada
enfim, me engula...
talvez como marzipã
ou nega-maluca.

Dhênova
20/6/2015

A Mulher e o Amante





Na Madrugada...


A Mulher e o Amante

Aquele amante que és
invasor da minha imaginação
vai por qualquer viés
e me encontra na figuração

no segundo ato da peça
num teatro de quinta
com o título de 'Rixa'
seguimos tudo a risca

nos despedimos 
do nada
nos calamos
almas apaixonadas...

Tu, meu rompante
noite enluarada
Eu, sempre sem asas
varamos madrugada.

Dhênova

26 de junho de 2015

Havia...

Havia...

em cada passada
uma certeira
pisada

na areia, no mar
na montanha
encantada

em cada página
uma letra
marcada

nos olhos, no peito
nas lágrimas
petrificadas

em cada trilha
uma melodia
encarcerada

nos ouvidos, na boca
na mudez
exagerada

em cada dia
uma corrente
talhada

nos pulsos, nos dedos
na mão
espalmada

em cada vida
uma parceria
entrelaçada

no coração, na mente
n'alma
iluminada.

Dhenova

25 de junho de 2015

Não quero ser outra

Não quero ser outra

Pintei os cabelos de castanho
tirei o terrível vermelho
percebi o erro tamanho
ao tentar ser quem dá medo

voltei a ser a mesma
mulher despreocupada
encontrei no meu íntimo
a melhor das jornadas

não quero ser outra
magoar quem me magoa
sou eu e nada me tira
a coragem de ser boa

nunca quis o mal de ninguém
nem mesmo de quem me maltrata
não quero ser um refém
daquilo que é cruel e que mata

quero respirar o ar puro
encontrar sentido no mar
sei que assim me curo
dessa doença de amar.

Dhênova

Sobre paz...

"Quem não faz parte do meu mundo
não tem poder sobre mim
não me machuca, não fere...
                          não existe... e fim."

Descobri que na vida
a gente só sofre
se der poder
a quem não se comove
desdenha sentimentos
não sabe ser gentil

Quando se mima demais
pessoas inacabadas
acontece as tais falhas
abismos de mágoas
cortes profundos
e tudo virá uma nódoa
manchas escuras
que não saem das almas

Quando se quer o bem
daí tudo faz sentido
perdoa-se os delírios
de seres perdidos
que andam a esmo
com suas navalhas
marcando a todos
por egos, pirraças

Descobri que a paz
essa vem de dentro
que um sorriso doce
é certo, não tem preço
que amar não é breve
e ser feliz é o começo.

Dhênova

24 de junho de 2015

Eu já não me importo...

Não me importam as mesmas histórias
falsos motivos, argumentos hipócritas
pessoas sem beleza, sem memória
que usufruem dos outros, são malignas
pessoas que não valem nem a briga
e sempre se acham as melhores, todavia...

não me incomodam as mesmas mentiras
elogios precisam ser sinceros, é isso que quero
de abraços flácidos e beijos mornos eu fujo
pessoas fúteis não me emocionam, são caricatas
ralas, pura superfície, não encantam, estão mortas
essas merecem a solidão e vida vazia, qualquer porto
nunca estão satisfeitas, os zumbis da vida, são tortos
merecem apenas o perdão, e paz na trilha...

não me interessam os velhos códigos, são velhos
quero a riqueza de gente viva, que sente, ama
entre o azul e o vermelho, fico com o amarelo
prefiro a emoção turva do que a razão medonha
quero um amor com gosto de hortelã e mel
e sentir nos dentes o sabor único das castanhas.

Dhênova


23 de junho de 2015

A MULHER E A SOLIDÃO - Um Tratado


UM TRATADO

Quero a penumbra de um sorriso escondido, a luz apagada, últimas notas tocadas; seria no toca discos, no vinil que brilha num canto do quarto? E lá se foram 29 anos... seria no vizinho, seria Bach ou qualquer violino? Talvez no quarto hoje, algum vídeo celta no notebook... eu, solidão... a janela aberta, já sem coração.

Dhênova
20/6/2015

22 de junho de 2015

As letras morreram...

As letras morreram
foram assassinadas
por seres resistentes
contadores de casos
talvez sejam crentes
por falsas jornadas

e talvez não valha nada
mas as letras foram assassinadas

extirparam as vogais
esgaçaram as locuções
fizeram em pedaços
todas as orações

o sangue dos advérbios
desceu quente às escadas
esquartejados foram
os adjetivos gastos
engoliram uma a uma
as vírgulas
roubaram sem dó
todos os pontos
sobraram só dúvidas

massacradas as preposições
na falta de traços
desordenados os artigos
indicadores do abismo
dos textos narrativos
e da Fantasia que é a Poesia.

Saiu no jornal local:
Mortas foram as letras
por seres senis
e desleais!!!

Dhênova

19 de junho de 2015

Sobre quem sou...



Sobre quem sou...

Não quero ser mais do que sou
rio que atravessa o pântano
que busca o sentido no outono
e que sente um frio quase morno

sou flor que habita o alagado
que nasce ereta no meio do nada
busca na fonte a própria pegada
e ainda assim continua o traçado

não quero ser aquela fruta podre
madura demais e comida por todos
pássaros tolos e mortos de fome
que usam sementes em terrenos áridos
e no fim continuam suas jornadas

prefiro ser a raiz de um ipê amarelo
encontrar no amor só lealdade
ter à vontade o que mais quero
doçura, calor, afago, sinceridade

não quero ser outra que eu mesma
firme e forte, insegura e indefesa
sempre à beira, ainda sem arestas
ser a mãe que realmente presta

sim, sou festa junina, vestido e laço
chapéu de palha, pintas desenhadas
sou fogueira que arde e apaga
e ainda assim continuo amada...

sobre quem sou? sou eu e ponto final.


Dhênova

17 de junho de 2015

Amizade


Amizade

Não espero grandes atos
daqueles que amo
quero só sinceridade
abraço quente e farto
sentir no toque a lealdade
de quem não é fraco

Cansei da má intenção
de pessoas que não amam
não sentem, enganam
mentem, sucateiam emoção
criam cenários, atraem os falsos
perdem-se a cada episódio

Não espero outra coisa que vida
de quem comigo convive
ter no peito a plenitude
crer que amizade existe
e ser amigo é uma virtude.

Dhênova

16 de junho de 2015

Mote da Marisa



O que essa menina procura???


Mote da Marisa

Ah, essa menina
de olhar perdido
e de íntimo alegre
nesse duo, enlouquece
busca ponto e fim
e nada lhe apetece...

ah, essa menina
lambe o céu
da luz divina
enriquece o mar
com letras parcas
mas com pirraça
ela não tem graça
e deixa pra lá
qualquer desgraça...

ah, essa menina
que engana a poesia
busca o silêncio
na noite tão fria
vai dormir agora
menos sombria...

e sem ser profetisa
ganhou um mote
da amiga Marisa.

Dhênova

15 de junho de 2015

Pés na pedra



Pés na pedra

Pé direito no chão
em linha reta
marca a direção
ação concreta

Pé esquerdo virado
na contramão
abstrato movimento
com emoção...

pés na pedra
nas mãos o coração
braços eretos
racional a visão.

Dhênova

O quê realmente vale...



O quê realmente vale...


vale na vida
sorriso gentil
brindado assim 
por quem não se espera

 toque de mão
quente, terno
silente emoção
de quem é eterno

palavra amiga
caridosa, etérea
gesto de amor
como luz de lanterna

que mostra o caminho
para seres felizes
florido, com espinhos
sem cicatrizes

vale na vida
amizade verdadeira
o resto? é resto
somente besteira.

Dhênova

14 de junho de 2015

Rasgo da Seda



Rasgo da Seda

Sempre que vês
a flor mais bela
deitada no divã 
das insanas promessas
imaginas que o feitiço
tornou-se ativo
e que ela coitada
dormirá para sempre
o sono mais rico

não percebes que ela vive
e viverá normalmente
tão perfumada

e permanecerá encantando
no rasgo da seda 
a pura madrugada.


Dhenova

Sobre mudanças



Sobre mudanças

E assim me vejo
tantas e nenhuma
em época de mudança
quero mais da luz da lua

e assim me descrevo
algumas e uma
na estranha dança
descalça e nua

e assim me acho
única em duas
busco a aliança
volto à rua

assim me basto
exclusiva e igual
cheia de esperança
ainda que crua

original.

Dhenova
09/09/2014

Amigos do mar



Amigos do mar

mulher maravilhosa
tem pés no chão
procura na prosa
a melhor sensação

sentada na areia
coxas à mostra
dengosa sereia
acaricia uma ostra

e pensa no além
gente verdadeira
pessoas do bem
seres sem beiras

o coração se aquece
não há mais perigo
magia, então, acontece
esquecido são os castigos

amigos quando surgem
nas ondas belas do mar
trazem a cura pr'alma
não há nenhum pesar

assim, fica o rito
quanto mais real
menos sofrimento
sem chance pra atrito

mulher dengosa
sereia na areia
coxas à mostra
canção verdadeira.

Dhênova

Em estado de graça



Em estado de graça

Foi doce o sorriso
que iluminou meu mundo
e me deu abrigo
foi assim que surgiu
sem nenhum aviso

Foi doce e singelo
quase eterno

Foi suave o toque
dos longos dedos
em minha mão gelada
e senti o calafrio
quente e casto
como queijo e goiabada

Foi suave o toque
quase apaixonado

Foi mansa a fala
da voz tão rouca
que me deixou fraca
tola, enamorada
em estado de graça

Foi mansa a fala
quase que me cala

Foi rápido demais
aquele instante
que perdemos a alma
desafio constante
nascido na calma
de um rompante

Foi rápido demais
foi cruel e fugaz
e eu fiquei aqui
ainda com minha paz

Foi cruel e fugaz
o pedido de mais.

Dhênova

10 de junho de 2015

Hino dos Pampas


Hino dos Pampas


Sou pássaro que voa até o monte
busco no pico o sentimento
solidão em ser descrente
não causa dúvida ou tormento

luzes coloridas marcam no horizonte
uma estranha linha do tempo
não sei do dia, ou da noite
sei apenas dos tragos e medos

ave que canta o hino dos pampas
não gosto de meias verdades
solidão e morte conheço, ambas
por isso espero só lealdade

sou livre para sonhar
com céus e borboletas amarelas
com jardins de flores brancas,
até templos ou bordéis
e também com minhas cenas
estou livre de mim
ainda que às avessas...

nasci sem asas
mas estou liberta
e sonho sim
com véus
e madrugadas,
com palavras amenas

nasci assim
e morrerei farta
de balas e rendas
de emoções falhas
e de suaves tormentas.


Dhênova

8 de junho de 2015

Profecia



Profecia

Na manhã de primavera
o sol surgiu encantado
dissipou as trevas
aqueceu as águas do lago

as folhas tremeram
em frêmitos agudos
sacudiram-se nas árvores
e flores perfumaram
de modo absurdo
mais ainda os lares

a moça andava só
pela ardilosa mata
corriam os olhos
atrás de cada moita
das grandes raízes
de pedras soltas

buscava o rei perdido
ferido pelo cansaço
acorrentado e por fim banido
que precisava do abraço

assim, todos os sentidos
seguiam à procura
do vital conhecido
agia com bravura
sem perceber os perigos

não sabia a moça de tez escura
que ao norte havia soldados
fadados à eterna loucura
com certeza, no seu caminho
esquecida seria a brandura

e a profecia se fazia
de modo abrupto e triste
a donzela e as feras
naquela bela noite
de primavera...

a dama salva pelo rei
e as feras sendo mortas
começava mais uma guerra
como viriam outras.

Dhênova

Lenda


Lenda

Da janela, eu vejo
a estrada de barro
pressinto o trote
cavalo branco que arde
vai surgir na curva
meu coração bate forte
pés resvalam
procuram o norte...

engulo os degraus
da escada de madeira
procuro fingir calma
mas tremo inteira
Ele chegará logo
meu cavaleiro
e sua espada guerreira...

passo pelas mesas
atulhadas de bêbados
na taverna escura
enchem a cara, sem culpa
e continuam a luta

saio, enfim, à rua
silêncio absoluto
é noite escura
não ouço mais nada
quero mais da intensa
radiante madrugada...

talvez seja só uma lenda
algo que seduz e alivia
quem sabe esteja escondido
na tenda de uma cigana
que provocou a terra, nua
ou naquela estrela brilhante
feita da luz divina da lua

Dhênova

Sem maquiagem



Sem maquiagem

Já é dia. Alguns raios teimosos insistem em driblar a luz da cortina e invadem o quarto. Encontram meus olhos, não há medo neles apenas uma dura e irretocável verdade. As olheiras acentuadas pedem um corretivo, uma base, um pó... um conjunto milagroso que mascare o que vejo, o que sou... Envelheci por estes dias, mas aprendi, há lições que valem a pena, outras não, assim como desisti das sombras, cappuccino agora é só café, também guardei os delineadores, são tão enfadonhos dentro de seus exatos traçados... é, quis a densidade, assim como blush rosado, num poema abstrato, nem tentei pedir socorro, larguei o lápis, o rímel, abri o creme de limpeza e busquei outro espelho. Sim, já é dia e no meu peito não cabem mais ventanias, nem fixadores, apenas leves e perfumadas brisas. Agora é seguir em frente, sem maquiagem, aproveitar o sol no rosto, traduzir a liberdade num sorriso, sem batom.


Dhenova

4 de junho de 2015

Vermelho veludo... e dourado!



Vermelho veludo... e dourado!

São passos silenciosos aqueles que trilham o nada, até a entrada, aquela entrada que nada dizia a quem não soubesse, daquela fenda, do nada que encobria, talvez do desespero, do medo, eram passos silenciosos os que se perdiam. O sossego não havia. Apenas a certeza de andar e andar, e de cabeça erguida. Eis que surge de repente, em meio a neblina, a construção que muito dizia, que tanto dizia e calava. O vermelho cobria os degraus até a porta. Acima, da camada cinzenta, a pobre lua minguante aguardava o desfecho, mas nada via, nada ouvia, apenas esperava a madrugada, agora tão fria... o vermelho chamava, os degraus gritavam palavras de ordem “venha”, “toque”, “perceba”... o calor vinha em ondas, era assim que se queria, tudo pulsava, vivia. E os passos continuaram silenciosos, ainda abafados pelo veludo gasto, no hall imenso daquela construção já desmanchada, o tecido rubro, que cobria parte daquela escada, aquela escada que dava para os andares de cima, pedaços espalhados, ruínas. O corrimão dourado, sem brilho, mostrava partes descascadas, certa era a glória que um dia havia tido. Agora tudo acabara. Mas os passos sabiam onde iam, subiam mais e mais, até encontrarem espaços abertos, a escada se perdia, assim como os passos, que reapareciam, mais em cima, em outros andares, passos teimosos, que precisam encontrar um quarto específico. E os minutos tornaram-se horas, até que os passos pararam, em frente à porta, número 132, ali ficaram. As mãos não deixaram marcas quando empurraram a madeira escura, a maçaneta dourada pendia arrasada como todo o resto. Apenas o carpete vermelho ainda mostrava a imponência do hotel, que abrigava agora apenas fantasmas; foi esse mesmo carpete que mostrou o espelho, um espelho imenso, quadrado, que cobria parte da parede quase branca, agora amarelada. Os passos pararam, buscaram a visão tão conhecida, o rosto de um homem, como um retrato. Todavia, depois de alguns instantes, o homem percebeu que no espelho nenhuma imagem havia. Ele também já não existia, era só um espectro e não sabia.


Dhênova – 28/05/2015

Tua escrava

Tua escrava

Leia-me em braile
decifre meus símbolos
e me salve dos perigos
do iminente baile
que não fui convidada

busque-me sem demora
arranque-me de vez
dessa infeliz história
em que me enfiei
sem nenhuma glória

Leia-me nas entrelinhas,
nas letras tortas
Subtraia medos, manias,
desvende esconderijos
e me faça, sem temer represálias,
tua rainha e escrava...

Dhênova

Rito

Rito

é madrugada
levanto da cama
num sobressalto
já era a hora
é noite escura
quando meus olhos
procuram o além

saio apressada
com as mesmas vestes
encontro a trilha
que desaparece
dentro da mata

e depois de algum tempo
surge o círculo de pedras...

cabelos soltos e longos
movem-se ao sabor da brisa
o clima é seco e frio
mas nada impede a profecia

junto a lenha
que será queimada
faço um monte
bem em frente
do seixo mais longo

pequeno fio de fumaça
encontra a neblina
e assim se faz a magia

enquanto isso, eu danço nua
ao redor da fogueira
lá no céu ainda brilha
a luz da lua cheia.

Dhênova

3 de junho de 2015

Teu rito, meu guia

.
Eu tento alcançá-las
mãos esticadas
estrelas prateadas
preciso tê-las
bem perto, guardadas
ao longe, céu nublado
mostra o cinza chumbo
nuvens espalhadas
tingem o infinito
meus cabelos vermelhos
dourados, encaixados
meus braços abertos
meu olhar que comove
teu rito, meu guia
tudo na mais santa
alegria...

sou assim
caçadora de estrelas
longe de ser querubim...

Dhenova

Quando tudo vale nada

Quando tudo vale nada

Quando a emoção
precisa ser sucateada
no fim, acaba valendo nada.

Dhênova

1 de junho de 2015

Barco à deriva

Barco à deriva

Feliz daqueles que conseguem ser barcos
atracados em qualquer porto
presos a cordas velhas
há pessoas que não têm pressa
que não se importam com a ferrugem
feliz daqueles que vivem sem promessas
acreditando que estar em inércia
é melhor do qualquer atitude

todavia, há pessoas que não
não sobrevivem com tão pouco
que insistem em viver
buscam no mar bravio algum sentido
que não desistem
enxergam longe, aspiram o vento
desatam os nós, estendem as velas
há pessoas com coragem e brio
fazem escolhas certas

Mais feliz é aquele que conduz seu batel
até mares profundos, com ou sem motor
sem receio de tempestades, anseiam o calor
e não se importam com as intempéries
desejam com ardor ser barco à deriva
do que ser apenas mais uma carcaça na vida.

Dhenova

Andei

Andei

Andei pela areia
fervente
como andarilha
febril
mas contente...

na raiz da árvore
o pedágio não é caro
a gente fica feliz
brilho nos olhos
pés ao alto
tela viva, sem gris

tomei aguardente
fiquei por ali
cuspi a semente
da ameixa que não comi

e fui dormir.

Dhenova

Quem me acompanha...

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