3 de março de 2015

Quem sou...

Quem sou...

Sou passos do grafiteiro
que encontra a sala vazia
olhar que cobre os cantos
possíveis cores, traços vários
inexplicável alquimia

sou lixa que alisa a parede
harmoniza marcas do tempo
que emparelha a massa
vai deixando um desenho
novas rachaduras emolduradas
cicatrizes que dão ao nada

Sou fundo transparente
cobertura insípida
mantenho a essência
das paredes nuas
tortas, marcadas por ais
viventes que ali vão passando

sou tinta preta
baforadas nítidas
faço parte do cotidiano alheio
rostos, cheiros
singrados sem piedade na sala vazia
nas paredes cruas. Sou clareza... melancolia.

Sou o piso falhado
varrido com vassoura tosca
transpiro por entre os riscos
umidade que cobre boa parte
daquela sala

sou piso coberto
com mantas azuis e vermelhas
almofadas coloridas jogadas
esparramadas em V. Sou pureza... nostalgia.

Sou o teto sem forro
calor ou frio que emana
transpassa
sou lâmpadas brancas
céus ensolarados
Fogo fátuo sem batalhas

Sou a lua que mergulha
invade a sala vazia
sou retrato do dia. Sou certeza... poesia!


Dhenova
01/02/2015

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