3 de março de 2015

Quando o gole não desce

Quando o gole não desce

Enchi outra vez o copo
vidro vermelho vivo
com o líquido santo
e tropecei no aviso

derramei por cima da mesa
vinho puro mas quente
enganei a mim mesma
deixei de ser eloquente

ouvi trovas mornas
cuspidas por um ancião
reconheci manobras
não quis a contramão

fiquei só na viela
em pé, apavorada
vi mulheres cadelas
sem dó, serem usadas

desconheci meu par
sumiu no caminho
não soube amar
esqueceu o carinho

e o gole não desceu
garganta quase fechada
o soluço apareceu
na dor de uma engasgada.

Dhenova

Nenhum comentário:

Postar um comentário