22 de março de 2015

Rapunzel

Rapunzel

Há noites sem lua
cheia ou nenhuma
Há noites tão nuas...

e fico só
eu e as manias
não há dó
nem paixão
que defina

tal emoção
todo dia
ou um...

penso em castigos
crueis inimigos
eu e as falhas
eternas mortalhas

e digo amém!

Paredes brancas
são frias
corpos gelados
copos quadrados
estendido o manto
fotografado o quadro

assinado o trato
tudo confirmado!

Há noites sem lua
dessas de medos vadios
permaneço obscura
esquecida do brio

Há noites e luas
vazias, inseguras
apenas luas,
imaculadas
puras..?

Há portas e trancas
na torre encantada
jogo as tranças
ninguém me resgata.

Dhenova

3 de março de 2015

Quando o gole não desce

Quando o gole não desce

Enchi outra vez o copo
vidro vermelho vivo
com o líquido santo
e tropecei no aviso

derramei por cima da mesa
vinho puro mas quente
enganei a mim mesma
deixei de ser eloquente

ouvi trovas mornas
cuspidas por um ancião
reconheci manobras
não quis a contramão

fiquei só na viela
em pé, apavorada
vi mulheres cadelas
sem dó, serem usadas

desconheci meu par
sumiu no caminho
não soube amar
esqueceu o carinho

e o gole não desceu
garganta quase fechada
o soluço apareceu
na dor de uma engasgada.

Dhenova

Quem sou...

Quem sou...

Sou passos do grafiteiro
que encontra a sala vazia
olhar que cobre os cantos
possíveis cores, traços vários
inexplicável alquimia

sou lixa que alisa a parede
harmoniza marcas do tempo
que emparelha a massa
vai deixando um desenho
novas rachaduras emolduradas
cicatrizes que dão ao nada

Sou fundo transparente
cobertura insípida
mantenho a essência
das paredes nuas
tortas, marcadas por ais
viventes que ali vão passando

sou tinta preta
baforadas nítidas
faço parte do cotidiano alheio
rostos, cheiros
singrados sem piedade na sala vazia
nas paredes cruas. Sou clareza... melancolia.

Sou o piso falhado
varrido com vassoura tosca
transpiro por entre os riscos
umidade que cobre boa parte
daquela sala

sou piso coberto
com mantas azuis e vermelhas
almofadas coloridas jogadas
esparramadas em V. Sou pureza... nostalgia.

Sou o teto sem forro
calor ou frio que emana
transpassa
sou lâmpadas brancas
céus ensolarados
Fogo fátuo sem batalhas

Sou a lua que mergulha
invade a sala vazia
sou retrato do dia. Sou certeza... poesia!


Dhenova
01/02/2015

Manias

Manias


Pensava em botões
não em blusas
emoções
caricaturas
em lacres cerrados
abertos dos lados

pensava em goma
não de mascar
em balões coloridos
destinos e ais
em lutas, chuviscos
abismos repletos
em porto sem cais

pensava em tudo
e em nada
na realidade
escrevia
algumas manias
num caderno
sem páginas.

Dhenova