Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

4 de fevereiro de 2015

O que deixo...

O que deixo...

Deixei de lapidar
o diamante, tão bruto
torná-lo brilhante
é querer o diabo em luto
deixei, larguei
roda, facetas
abafei contradições
abanei aos cometas

Deixei de saudar
o deus errado
acarinhá-lo na face
é comer com o carrasco
impossível respirar
e viver à margem
não dá...

Deixei a raiz exposta
noite em becos
soluções tortas
foram tantos tropeços
ouvidos os cacarejos
em luas cheias e mortas
impossível aceitar
tanta bagagem
não há...

Deixei de querer
tesouros complicados
o melhor a fazer
esquecer os estragos
impossível viver
e respirar coragem
sem ver...

Dhenova

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