Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

23 de setembro de 2014

Primavera

Primavera

Na tela em branco
o pincel cria vida
azul celeste no retângulo
acima do horizonte a linha

e aquece o amarelo
em esfumaçados pontos
fecha-se na hora o elo
atrás do marrom dos morros

tinge o verde de leve
as trilhas coloridas
nas pétalas das flores a breve
história de cada relíquia

E o gris de paine nos cantos
dá a profundidade rasa
em recortes profanos
a tristeza fica sem graça

o Vermelho sutil
cobre a areia
num tom gentil
o Titânio marca
a onda faceira

E o conjunto se mostra
inteiro, performático
como a mais rica lenda
retrato selvagem e sagrado.


Dhenova
23/09/2014

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