Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

5 de maio de 2014

Febre

Febre

apenas sussurros
saem da garganta
água, água
o corpo implora,
almeja, reclama

sobem arrepios
pés, pernas, coxas
água, água
pelas costas um rio
suor salgado escorre

no rosto brilhoso
explodem as têmporas
água, água
batom cremoso vermelho
lábios rachados inteiros

na mente o desvario
febre que nada acalma
água, água
quando o ontem vazio
deixou claro sua forma.

Dhenova