Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

20 de abril de 2014

Espírito domado




Espírito domado



Não acredito em ilusão
mas faço minha realidade
não alimento a discussão
ainda que perceba a maldade

e que me venham os clichês...


não acredito em liberdade
quando o que sinto aprisiona
esta história de saudade
sofrimento
não me causa insônia

não me restaram lamentos
e pouco importam... os clichês...

não acredito em harmonia
uso as mesmas palavras
sem nenhuma ironia
sentida ou não, sem farpas

acabaram-se as aspas

e que outros venham... se quiserem
clichês sedentos deste universo
onde me rasgo, me esfrego

sei onde mora a magia
escondida numa floresta
já vi nascer poesia
num regaço iluminado por pedras

onde me espalho, me acho
espírito domado
livre no espaço
me faço... eco, som... mormaço.



Dhenova
20/04/2014

7 de abril de 2014

Foi quando recebi flores...


Foi quando recebi flores...


pois é, nunca pensei, sequer aceitava
esta coisa toda, receber flores
não estava com nada, rosas então
nem me fala, meu grande trauma
não suportava...

pois é, fiquei sem ação, foi quando vi
ali na minha porta um buquê cor-de-rosa
envolto num plástico coberto de laços
e não acreditei no que senti
raiva, frustração, ternura, emoção?

joelhos tremeram, o nó na garganta
lembrei do passado, rosas amarelas
o poder de um mágico, tanta descoberta
a morte do amor, horas desertas
e quis jogar fora o pacote inteiro...

neste momento, da flor mais bela
a mais viçosa, a do centro
eu vi escorrendo uma gota transparente
que veio parar nos meus dedos
e fiquei imóvel, apreciando o momento

percebi que a menina dos sonhos
não, não estava enterrada
ela sentia o vento, o perfume
e da flor a vida não estava apagada
a mulher estava viva e recebeu flores
de alguém que se importava...

Dhenova
7/4/2014