Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

29 de março de 2014

Pontilhão



Pontilhão

Na madeira já carunchada
pontos negros fazem os desenhos
circulares, de vindas e idas
caricaturas num horizonte imenso

vidas que passam lado a lado
roçar de destinos idênticos
trilhas de pedras, o azul do lago
perpetuando o quadro, um Picasso
sem cores intensas

nas tábuas corridas
pés que andam descalços
lutam por cada passada
emoção que vale nem um centavo

e eu observo cada instante
letras por letras que não dizem nada
capto a existência em cada semblante
imóvel à beira da estrada.

Dhenova
29/3/2014

4 comentários:

  1. Uma postagem diferente...que gostei.
    Beijo
    Graça

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  2. Feliz demais com a leitura e comentário, Graça!

    Volte sempre, querida!

    Beijo gaúcho

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  3. Meu amigo querido e grande poeta, fico muito satisfeita quando gostas. Grata demais por ter vindo.

    Beijão

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