20 de março de 2014

Detrás do balcão

Detrás do balcão

Foi de lá que eu vi
a loira peituda
e o moreno comprido
chegando sem estardalhaço
Ele, com muito cuidado
puxando a cadeira
pra mulher nota
que sorria faceira
esperava molhar o bico
bebida maneira
cansada da lida
gruta dolorida
ela seguia inteira

E o cara encantado
olhava discreto
o fundo decote
do tipo 'me come'
mas só se for forte
o saldo bancário

Foi de lá que eu vi
o rosto da 'moça'
sorriso forçado
escrito na testa
'vamô fudê logo, palhaço'

E o cara nada
só puxava papo
falava de solidão
busca e procura
dos desvãos
tudo com muita candura

Foi de lá que eu vi
vi quando ela levantou
e foi embora
não houve juras de amor
nem grandes memórias
O cara comprido
lamentava: 'a mina era minha
que mancada!'

Enquanto ela se afastava
por entre as mesas
fera inabalada
pronta pra o trote
buscava nos olhos da vítima
momento certo
pra outro bote...

Eu vi... foi de lá...

Dhenova
20/3/2014

2 comentários:

  1. Grata, amiga!!! Uma daquelas narrativas que surgem quando a gente vê uma cena kkkk beijo imenso

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