24 de fevereiro de 2014

Barcos de Papel

(imagem retirada da net)

Barcos de Papel


O gato preto
observa o relógio
acompanha os ponteiros
em voltas e voltas
a cabeça erguida
mas sem revolta

O pássaro no varal
encontra dois prendedores
na chuva que molha
eles balançam
à mercê do vento
entoando um canto

A lua invade a janela
ilumina recantos
encontra a mulher
fêmea misteriosa
sentada a um canto
ela olha a rua, dengosa
enquanto sorri
por puro encanto
acompanha a melodia
já sem nenhum pranto

Não enxerga
a estranha mulher
o gato envolvido com o tempo
o pássaro com sua melancolia
a lua por vezes aflita
ainda que tão bonita
nem tampouco os barcos
de papel
que descem pelas curvas
da sua cintura
e trazem no tom
azul escuro
a cura bendita
pra sua loucura.


Dhenova
16/02/2014

4 comentários:

  1. Maravilhosa poesia/prosa. Belíssima, mesmo! Madura, consciente, sabe? Muito apreciada. Parabéns, Dhê. Beijos, poesia.

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  2. Grata pela inspiração visual e por esta cumplicidade que os anos não irão diminuir. Beijo, Poeta!

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