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Dos rios que não cruzei... não sei!

22 de janeiro de 2014

Pegada



Pegada


Vibra em mim a batida mais forte
desejo que arde, coragem e vontade
de ver minha sorte em tuas pegadas

sob o efeito de um staccato
eu desenho nos vidros os cortes
corações que sangram, dispersos
sensação de triunfo e medo...


vibra em mim o último acorde
da sinfonia mais triste em dó
tudo acontece sem nenhum alarde
situações que se criam sem nós

em pequenos beliscões... pizzicato
sinto arrepios pelo corpo
vejo a forma de um lago
e a ilusão vindo em bolhas


vibra em mim o tom mais grave
a voz em meu ouvido
sentimento tão belo, benigno
emoções que passam vínculos

vibra em mim o toque mais leve
dedos nos meus amarrados
vibra em mim o legato
e já não penso o contrário.


Dhenova
(jan/2011)

17 de janeiro de 2014

Espinha na Garganta

Espinha na Garganta

Há um aro pendente
entre os dedos
e nos cabelos
fios de esperança
quebradiça

Há um corte rente
na cutícula
e na mente
imagens retorcidas
pela vida

Há um perfume doce
pelo quarto
e nos pulsos
adorno de aço
marca o laço

Há um tom acidulado
na voz
e na garganta
uma espinha pontuda
espeta
os
nós

Lena Ferreira e Dhenova
16/05/2011

Retorno do verbo amar

Retorno do verbo amar


Gira o tempo que faz transformação
Guerra velada em sonhos de paz
Sela a vida com olhos fechados
Aprendo com a morte que me refaz

Gira a roda da vida, sofrida no dia
Encarcerada a alma fica, nua
Quero a oração escrita na lida
Deixar de ser apenas mais uma...

Em dias nublados sou embarcação
Cabelos soltos, respiro o ar gelado
sol de primavera, flor colhida a mão
A emoção de ser fruto e pecado

Em dias de sol fui alegoria na mata
Jurada de vida, enfim quis morrer
Fiz da razão a tentação barata
nascendo criança, não mais quis crescer...

Deixo meu leito e te procuro num beijo
Deixo marcas de unhas na sala
Me pego abrasada em tanto desejo
Orgulhosa paixão que não se cala

Deixo meus brados e deito em colinas
Deixo pegadas na areia do mar
Me encontro parada entrando em teus olhos
Ofegante retorno do teu verbo amar.


Larissa Vaz e Dhenova
20/2/2011

5 de janeiro de 2014

Eu queria

Eu queria

Hoje eu queria a canção mais terna
queria a emoção mais singela
queria a adoração mais sincera
queria a contemplação eterna

Hoje eu queria o empate na luta
queria a breve conduta
queria a real abertura
queria a outra partitura

Hoje eu queria menos cansaço
queria o abraço apertado
queria o olhar doce e amargo
queria o jeito abstrato

Hoje eu queria tanto
mas me recolho ao meu canto
então,espero vir a madrugada
e, com ela, a luz da lua prateada.

Dhenova

2 de janeiro de 2014

As Cortinas


As Cortinas

O tecido transparente move-se com a pouca brisa vinda da janela de madeira, o movimento faz o atrito entre a parede e a mesa da televisão... que está fora do ar. Na janela, o vidro quadrado cobre metade da minúscula parede da sala e está meio aberto, o que faz as cortinas quase brancas lamberem o tapete ralinho verde. Na mesa de centro, um pato guarda moedas e alguns envelopes. No sofá florido, uma almofada de coração serve de encosto para uma mulher de cabelos presos e brancos, de óculos de grossas lentes, de olhos parados, e lábios roxos. Ela não respira.

Dhenova

Outra Canção

Outra Canção

Eu pensava em suicídio
enquanto ela ria de graça
sobrava só o delírio
de uma nova e intensa caça

Eu pensava em bico e seio
enquanto ela erguia os braços
sentia a invasão do anseio
conquistado nos erros crassos

Eu pensava em doce e ilusão
flores vermelhas, chá de limão
enquanto ela ia embora sem arma
sem adeus ou acenos, o carma

Eu pensava em montanhas e vales
a correnteza dos rios, as pedras
enquanto as portas eram fechadas
sem praga, pecado, ou cuidado

Eu pensava em tantas coisas
e esquecia a primeira lição
...
enquanto ela sacudia a poeira
eu na tentativa de outra canção.

Dhenova
19/04/2010

Lances

Lances

Sinto a frieza do concreto nos pés descalços, e subo o primeiro degrau. A vontade é de pedir socorro mas respiro fundo e continuo. Mais um degrau. São doze até o primeiro lance. O prédio caindo aos pedaços, mais três lances e encontrarei o topo afinal.
Nos primeiros seis, uma pedra me espera. Mas não me atenho. A luz da lua ilumina a fenda, marca o cinza e distorce a cena. Quase desisto. E sei o quanto me vale o risco. Penso no feitiço e na oferenda. Penso na emoção de ser a primeira da fila horrenda. O frio nos pés, os dedos arroxeados... tudo tão lúgubre, tão insano, cruel... a meta é o outro lance.
É com as pernas pesadas que me aproximo do meio, o frio subindo, a umidade gelando as canelas... tudo tão frio, tão escuro, vejo vários olhos grudados nas fendas. Quase choro. Mas mantenho a envergadura. Sou feita de metal agora. Continuo apostando na rusga.
É o último lance. Lá em cima, eu sei, ele me espera. Talvez com a faca na mão, ou dormindo na cama de casal, ou tomando banho ou na sala, vendo tv, ou escutando música... não conto apenas que talvez ele tenha ido mesmo embora, como disse na penúltima cena, antes de me jogar escada abaixo, tornando tudo cinzento.

Dhenova

Quem me acompanha...

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