27 de dezembro de 2013

A Porta

A Porta

Não entendi a proposta
Esbarrei na resposta
E vi o mundo atrás da porta

Não busco mais o ardor
Esta coisa indecente, o amor
Quero a vida na janela, donzela

Não anseio o pecado
Minha dor? Posta de lado
Quero o belo e o singelo
O resto? Protesto? Não, encerro.

Não encontrei a alegria
Talvez esteja escondida na folia
Quero, então, a miragem da poesia

Não receio o contato
Tanto faz se é de fato
Quero o belo, o vasto, o eterno

Quero mais que o morno insano
Quero o desafio, secreto, humano
Quero a minha vida de volta
Quero sair detrás da porta.


Dhenova - janeiro 2009

23 de dezembro de 2013

Admirável Gado Novo

ADMIRÁVEL GADO NOVO

Admirável rebanho este
que, crente, aceita tudo
de forma benevolente
as mentiras
as ruínas
as misérias
sem pão ou chão
sem orgulho ou paixão

Admirável também é o teatro
dos líderes asnos
que, safados, enganam o gado
levando-o ao divino abate
novo abismo
novo ato
mas sempre democrático

Admirável ainda é a incerteza
de um povo covarde
que não se une, não se mostra
e quando aparece
só diz bobagem boca a fora

Admirável mesmo é a esperança
que insiste em permanecer
na mente daqueles que creem
que um país melhor possa acontecer.


Dhenova – abril/2009

21 de dezembro de 2013

Sabe seu engano?

Sabe seu engano?

S abe o seu engano?
A busar do sarcasmo
B eber antes do prazo
E sconder a face, fase

S abe o seu erro?
E sperar que eu aceite
U m sorriso amarelo no avatar

E ntrego ao juiz a toalha
N ão sou assim tão otária
G aranto-lhe sair da sua vida
A ssim como entrei
N um único e infalível
O som de um clique.

Dhenova

Os mesmos atos

Os mesmo atos

Rasgou as estrelas
o seu grito agudo
sentiu nove vezes
o sagrado rito
Pintou o sete
com pincel curto
desejou o três
e escreveu oito
daí percebeu...

nem sempre as estrelas
sabem das coisas do mundo

...

Cortou o papel
a tesoura afiada
costurava a linha
o tudo e todos
procurou a verdade
na cauda do cometa
encontrou só maldade
num universo perneta

nem sempre o papel
escreve certo...
nem sempre as estrelas
sabem das coisas...
nem sempre o cometa
aparece no céu...

são só as mesmas letras
palavras, papel e caneta
as mesmas paisagens
estrela, lua e cometa
os mesmos traços
tinta, pincel e paleta.


Dhenova
28/8/2010

Este é o mundo...

Este é o mundo...

(inspirado no tópico 'Este é o mundo', criado pela Juleni Andrade, na Odisseia, comunidade extinta no Orkut)

O mundo que gira
e que arde
que aceita o alarde
que anseia a guerra
que permeia a terra
que induz ao embaraço
que reduz o cuidado
que produz lixo diário
que alcança a multidão
que faz nascer a poluição

ah, este mundo que gira
e que arde
que aceita o alarde
que abriga o perigo
que solicita o vício
que impõe o castigo
que deseja o artifício
que cria o covarde
que acata a sacanagem
que ordena a pilhagem

ah, este mundo que gira
e que arde
que grita
que morde
que fere
que engole
que chora
que morre.

ah, este mundo...

Dhenova
25/02/2010

19 de dezembro de 2013

Holograma

Holograma

Tinha tudo para ser um buraco negro
mas não era
colorido ao extremo
tinha pontos e círculos
e se enrolava em si
num abismo

Tinha tudo para ser um absurdo
mas não era
um caminho às avessas
que dava para lugar nenhum

Era, na realidade, comum
um frágil e distorcido
holograma
sem começo nem fim
fazia parte
de um universo febril.

Dhenova

16 de dezembro de 2013

Canto Sedento

Canto Sedento

Um dia, um homem viu
no horizonte
uma estrela e um anel
de diamante

Um dia, uma mulher previu
o tempo
um caminho e uma ponte
um levante

Um dia, um amigo sorriu
para o sol
uma luz e um lamento
o canto sedento

Um dia, um ser encantado
tateou na madrugada
um contato com o alto

Um dia, o ser de amor
sorrirá já sem dor
iluminará a noite
enobrecerá o tempo
esquecerá os momentos

Partirá sem medo.

Dhenova - Audiverimus
julho/2009

10 de dezembro de 2013

Noite Estrelada

Noite Estrelada

N o anoitecer
O olhar brilha
I gual estrelas
T ão lindas...
E o canto cigano

E nvolve todo o campo
S ó na madrugada
T ocam os tambores
R isca no céu a
E strela cadente
L ivre, ela cai
A luz incandescente
D esenha o suspiro reprimido
A mor de segredo.


Dhenova

6 de dezembro de 2013

Doce Mergulho

DOCE MERGULHO

D ou um beijo no travesseiro
O contato macio com o tecido
C orpo quente e um arrepio
E nvolvidos no terno atrito

M exo de leve os lábios
E nquanto a procura da mão
R econhece a magia da vida
G rito um ahhh e roço a língua,
U ma marca vermelha no nada
L iberta, mas cansada da luta
H omenageio os anjos da poesia
O mergulho doce na fantasia.

Dhenova

3 de dezembro de 2013

Nova Morada



Nova Morada


Quero janelas redondas
espalhadas pela sala
cansaço tenho das quadradas
e de tanta coisa chata

Quero respirar ar fresco
canalizar meus medos
esquecer do pranto seco
e de todos os segredos

Quero dançar uma valsa
embalada pelo abraço
até que seja uma salsa
desde que tenha o laço

Quero vidros coloridos
em tons de azul e rosa
deixar atrás os castigos
finalmente, ficar prosa

Quero portas abertas
sol refletido no piso
emoção em linha reta
segurança no que sinto

Quero a nova casa
limpa, seca e iluminada
livre da vil pobreza
pela lua inspirada


Dhenova