28 de novembro de 2013

A voz como guia

A voz como guia


Mergulhei no mar
alcancei a areia
vi peixes espadas
e nenhuma sereia

mas escutei a voz
que vinha de cima
como casca de pêssego
suave como neblina

então, fui à tona
buscando o ar de novo

Adentrei no mato fechado
com cobras por entre os pés
vi no porco do mato
um perigo imediato
e corri outra vez...

perdi-me num alagado
já não sabia como voltar

mas ouvi a voz
que vinha da trilha
som de galhos quebrados
melodia coberta de sinas

então, encontrei o caminho
fui atrás do meu destino

Percorri o maior deserto
senti sede, calor e frio
nenhum ser por perto
andei milhas a fio

mas ouvi a voz
trazida pelo vento
murmúrios desconexos
canção marcada no tempo

então, refiz a rota
esquecida das palavras mortas

Vislumbrei o jardim florido
vivo labirinto de cores
entonei o mantra perdido
enterrei na terra as dores

não ouvi a voz
que chamava dolorida
encontrava eco nos rochedos
perdia-se no cinza do dia

então, deitei aos pés
de flores exóticas

e silenciei de vez a voz
que me servia de guia
já posso andar só
fazer da busca a poesia.

Dhenova
28/11/2013

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