31 de outubro de 2013

Apenas partes de mim

Apenas partes de mim

A penas partes de mim
P artículas espalhadas
E m suaves círculos
N a madrugada
A lcançam o chão
S em delírio

P artes tão pequenas
A garram-se ao solo
R esgatam o sorriso
T ocam o abismo
E sparramadas, as partes
S ervem de base, líquidas

D estino tranquilo
E ncontram as outras

M arcam a passagem
I ndicam o caminho
M inha última viagem.

Dhenova
2/1/2010

Asselvajamento

ASSELVAJAMENTO

A charam o pobre
S em roupas ou sorte
S em vícios ou morte
E ncontraram o pobre
L ivraram-no da descrença
V iajantes com esperança
A barcar riquezas nas andanças
J á o pobre, sem dança
A manheceu vestido
M arcado e destemido
E mpobrecido
N a essência, aguerrido
T olo mas ainda certo
O pobre nascera liberto.

Dhenova

30 de outubro de 2013

Prisioneiro

Prisioneiro


Homem
sentido embotado
sentimento cru
cruel, inexato
disperso de candura

Imagem
do tempo passado
culpa esquecida
nascido ileso
de alma pura

Não importa
como morre
visto a olho nu
é quadro abstrato
infâmia colorida

vísceras à mostra
sangue que escorre
denso da ferida
permanece preso
à outra vida.

Dhenova e Wasil Sacharuk
outubro 2010

23 de outubro de 2013

A Dança das Palavras

A Dança das Palavras

Vieram dançando as palavras
em espirais verdes-azulados
tolas, foram caindo aos poucos
nas folhas brancas do diário

Vez por outra, tão sem motivo
adentravam no universo absurdo
as retas amarelas, criativas
desenhadas nas linhas tortas

O poeta observava tranquilo
as ideias ali registradas
percebia a poesia nada forjada

com a suavidade da letra cursiva
o poema benfazejo à inspiração
escrevia-se intenso em meio a isso.

Dhenova
10/8/2010

22 de outubro de 2013

Literatura Infantil

LITERATURA INFANTIL

L eio em voz alta
I nebriante história
T ento o tom grave
E a tal de aeronave
R esgata a vitória
A stronauta colorido
T urva de emoção
U m mundo fingido
R eduz quase toda
A sensação de perigo

I nebria o coro vasto
N uma célebre encomenda
F ascínio eterno pela lua
A criança sorri e viaja
N a sala de aula, silêncio
T udo termina em alegria
I ntensa é a vontade
L er e ler, mais um dia.

Dhenova
27/03/2010

20 de outubro de 2013

Amanhecer

Amanhecer


Luz entra pela janela
invade o ambiente frio
ilumina o quarto, a sala
ar fica menos sombrio

fio escrito em linha reta
desenhado nos lençois
perde-se dentro do poeta
o canto dos rouxinois

versos abrem os olhos
procuram os espíritos
na parede os molhos
pendurados por gritos

são chaves eternas
abrem todas portas
trancam as más cenas
em memórias rotas

são chaves idênticas
marcadas pela morte
risadas autênticas
símbolo de sorte

enquanto amanhece o dia.


Dhenova

17 de outubro de 2013

Mãe e Filha

Mãe e Filha

Ela se aconchega
procura o carinho
encontra meu peito
roça o rostinho

o livro aberto
na mais doce história
coração repleto
de emoção e glória

o castelo e a princesa
o sapo, príncipe encantado
tudo gira na mente
da menina amada

fim do conto de fadas
sinto o corpinho relaxado
meu bem mais precioso
dorme feliz ao meu lado.

Dhenova
12/12/2010

12 de outubro de 2013

E se não houvesse amanhã?

E se não houvesse o amanhã?


Se o amanhã não chegasse
quieto, buscaria à janela
um motivo qualquer
para tanto dano


se a luz do sol se escondesse
não entraria em pânico
olhos fechariam-se breves
sem emoção ou encanto


se os relógios parassem
sem nenhuma explicação
destrancaria a porta do quarto
jogaria pela escada a ilusão


se a vida esmorecesse
sorriria ao último mergulho
levaria comigo junto ao peito
toda a sensação de ser único.


Dhenova

9 de outubro de 2013

Abraçadas




















Abraçadas

A menina e a mãe
tão parecidas
gestos suaves
de mãos dadas
tão descomplicada
torna-se a vida

A menina e a mãe
compartilham sonhos
buscam o que é real
sem segredos, ou danos
sentimento ideal
livre de enganos

A menina e a mãe
num grande abraço
com muita emoção
deixam seu recado
a menina, a mãe
e o seus legados.

Dhenova

8 de outubro de 2013

Sinfonia

Sinfonia


Na vidraça, pingos de chuva
na cegueira de não saber onde ir
soluçando, buscam guarda
do terrível destino
descer parede abaixo
correr pelo vidro
e morrer, enfim, no telhado

Vejo-me olhando o teto
à procura de alimento
para a anemia de versos
que me toma por dentro
mas nada consigo...

E eles, os pingos
continuam a sinfonia
e já não sei se anoiteceu
ou se ainda é dia...


Dhenova

Rosas Vermelhas

Rosas Vermelhas

Ah, as rosas vermelhas
tão exóticas, selvagens
na textura das pétalas
aparentemente tão frágeis
a cor viva vem como miragem
e no caule forte
espinhos mostram coragem
defendem o círculo
dos que nascem e morrem...

ah, estas rosas
tão formosas, apaixonadas
fazem do jardim recanto
e quando não são cobiçadas
secam o moroso pranto
tornando a tarde dourada
deslumbrante encanto...

sim, são rosas
necessitam de liberdade
para florir ao vento
à chuva, nas diversidades
são rosas libertas
não podem ser presas
estipulados seriam os seus fins

sim...

Ah, rosas colhidas
são apenas rosas
num vaso

Ao redor,
corações vermelhos
de plástico.

Dhenova
7/10/2013

Sem manhas




















Sem manhas


Quero sentir teu corpo
colado ao meu, todo
quero o passeio das mãos
completo, inteiro, eterno
quero teus lábios na nuca
para um beijo menos terno
quero sentir o grave abraço
capaz de alcançar o íntimo
quero encontrar no teu beijo
mais que qualquer desatino
quero o suor da tua pele
sentido nas minhas entranhas
quero que me invadas breve
esquecer todas as manhas
quero o sol na janela
depois do sublime rito
quero a lua sem cela
iluminando a dança
quero dar-te o que posso
pacto mágico de esperança.


Dhenova

6 de outubro de 2013

Sutil Elemento

Sutil Elemento

Abro os braços, encontro o íntimo
furacão, harmonia,
chuva mansa, ventania
tudo tão distinto
e eu aqui ainda muda, sem disputa

Abro a mente, encontro a esperança
andança, varredura
lambança, armadura
tudo tão cru
e eu aqui ainda no tempo, sutil elemento

Abro a caixa, encontro o dia
emoção, cortesia
canção, poesia
tudo tão impuro
e eu aqui ainda ao acaso, mas sem nostalgia.

Dhenova
24/02/2010

3 de outubro de 2013

Fios e Meadas

FIOS E MEADAS

Tantas eram as cores
espelhadas nas caixas
Tantos os fios
As meadas

Tantos eram os odores
sentidos nas flechas
Tantas as eras
Açucaradas

Tantas eram as dores
mescladas nas faixas
Tantos os cios
As madrugadas

Tantos eram os amores
pintados nas mechas
Tantas as luas
Apaixonadas

Dhenova
Agosto/2009