Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

26 de setembro de 2013

Eu sou poeta

Eu sou poeta

sou poeta das nuvens
abstratos sentimentos
em folhas virgens
escrevo os momentos

sou poeta da chuva
pingos frios que caem
barragem cheia e turva
prenúncio de tempestade

sou poeta do vento
vocábulos que voam na rua
busco no tempo
a emoção mais nua

sou poeta do sol
ardência viva na pele
atrás do arrebol
continuo indo, breve.

Dhenova

25 de setembro de 2013

Teu direito

Teu direito


Tu, que tens meus olhos
meu abraço e beijo
tu que me tens no espelho
e me acorda com um gracejo

toda manhã...

tu, que me cobres de flores
assinas com letra bem firme
gentis são teus vocábulos fortes
no cartão de mais um destino

toda noite...

tu, que tens minhas mãos
preservas no toque suave
o carinho e a emoção
as tuas são de tanta coragem

toda madrugada...

tu que me enlaças sem medo
trazes contigo somente alegria

bem sabemos, eu e tu, todo dia

meu compromisso é com a música
teu é o direito de ser poesia!

Dhenova

16 de setembro de 2013

Pérola

Pérola


A correnteza é forte
nado contra o fluxo
não sei mais do norte
o horizonte é turvo

sufoco e vou ao fundo...

abafado é o som do vento
em águas turmalinas
nos primeiros metros
vejo mães-d'água meninas

e mais fundo adentro...

encosto os pés no chão
logo à frente a concha
não há nenhuma emoção
apenas considerações tolas

e me aproximo...

por dentro, ela é rosada
e com um pouco de medo
de tudo e de nada
busco o interior denso

e me aconchego...

a necessidade de ser amada
sem raios, chuva ou neblina
fecha a concha prateada
não sofro mais com o clima

e fico em paz

eu e a água
outra vez cristalina!


Dhenova

7 de setembro de 2013

Silêncio Branco

Silêncio Branco


as notas reverberaram nas paredes brancas
emolduraram com arte cada canto
as letras dançaram até ficarem tontas
e ouviu-se o último som já sem pranto

e veio o silêncio
daqueles que descansam
nem verde nem vermelho
branco apenas,
um silêncio branco
daqueles que se amam

o céu amanheceu sem nuvens
e no horizonte viu-se luz
outrora nascera tão cinza
hoje mostra glória, já sem cruz

e era hora de partir, navegar outros mares
mas havia um tímido sonho à deriva
ressaltado pela paixão de olhares
como um abrigo em dia de chuva

mas a tempestade trouxe com ela o vento
clareou a visão, mostrou as verdades
e a nau começou o movimento
o sonho afogou-se no mar de vaidades

e o barco da vida segue seu rumo...

trará com ele a âncora certa
neste intenso mar de descobertas
um porto que ainda seja seguro.


Dhenova