30 de julho de 2013

Mais uma viagem

Mais uma viagem

Vejo teu corpo sobre a cama, um braço enlaçado ao travesseiro. Percebo as feições do teu rosto, ainda que esteja na penumbra, expressão cheia de manha, o todo tão bonito, não há espaço para rusgas e rugas. Sinto teu cheiro e me aproximo, quase te toco de leve, mas isso me é proibido. O lençol cobre-te um pouco e deixa o peito à mostra. Quero beijá-lo, sentir o teu gosto, língua na tua pele, encontrar o pescoço, viajar pelo abdômen, buscar coxas e pernas. Todavia, sei que não posso te acordar e então me contenho. Ouço teu ressonar. Então, chego mais perto e mais... tu te mexes e me assusto, talvez não tenha sido uma boa ideia. Estar assim tão junto e não te tocar, tanta vontade, há um certo desespero, a saudade que ataca sem pesar. Talvez seja hora de ir, voltar ao leito frio, ao inverno rigoroso, já quase em agosto. Talvez seja melhor esquecer toda esta história. Ainda assim algo me prende. E não são fios imaginários. E só a pergunta que martela. ‘Por quê não?’ ‘Por quê não’? ‘Por quê não?’ e fica, num eco estridente, bem lá dentro do ouvido. ‘Por quê não?’, pergunto a última vez, eu comigo. Naquele instante, o tal ‘eu’ responde ‘nada é proibido’. Tão ambígua a colocação. Mas é um suspiro teu que acaba com toda a conjectura. O mesmo suspiro que escuto em sonhos, que sinto na nuca quando minha mão busca o teu íntimo e te sinto vibrar nos dedos. O mesmo que já ouvi ao gritar surdamente teu nome no auge do prazer. Então, tiro a roupa e deito suavemente ao teu lado. Tão natural o entrelaçar de corpos. Tua mão que procura meu seio. Tua boca na minha boca. Teu beijo molhado que me arrepia. E me permito esquecer das horas, dos lugares e horários. Apenas sentir nós dois ao sermos apenas um e deixar que toda esta paixão me ampare.
Infelizmente, as horas passam rápidas. Sei que agora preciso ir. Olho mais uma vez para teu semblante forte. Também sei que não saberás de mim, talvez fique pelo travesseiro um longo fio de cabelo negro... talvez.

Dhenova
29/07/2013

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