18 de maio de 2013

O moço e o anjo...


O moço e o anjo...

Então, todos os dias, no mesmo horário,  o moço recebia a visita de um anjo. Não, não era do tipo ‘angelical’, daqueles com asinhas coloridas e tudo, não, também não era do mal, era apenas anjo, travestido de poeta, anjo negro, é certo, meio às avessas. E este ser etéreo trazia com ele, letras, letras desenhadas num caderno de capa verde, em folhas recicladas sem linhas, trazia sua poesia e declamava, cantava pra o moço, que quieto ficava, apenas calava, sorria, e o anjo se ia... e os dias passando, meses, anos... um dia, o ser encantado não apareceu. O moço estranhou, buscou no íntimo, por onde andaria a presença celestial, encontrou na gaveta do quarto o caderno verde, mas misteriosamente não havia poesia, as letras sumiram, as folhas estavam em branco, o moço entristeceu, sentiu que sua inspiração tinha morrido, na hora também seu coração endureceu, ficou sem rumo, meio que perdeu o sentido, mas o moço não entendeu o motivo... os dias passaram, meses e anos... um dia, o moço acordou com um sopro, sentiu no rosto o morno, cheiro de menta, e abriu os olhos, viu o anjo, ser nada alado, sorrindo para ele sentado na cama com outro caderno, agora com a capa cor de rosa, dentro as folhas todas escritas, transbordava a prosa e fazia companhia letras e letras tortas. O moço não se importou, sorriu aliviado, permitiu que o ser alado deixasse embaixo do seu travesseiro a mais terna mensagem, a de pura amizade. E se deu o laço. Hoje o moço ainda sorri, e os cadernos passaram a ser vários.

Dhenova

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