Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

20 de março de 2013

Geada


Geada


pássaro lento no estranho voo
busca o sol que não nasceu
frio congela alma de pronto
asas que se fecham no céu

lá embaixo, no jardim
flores murchas pela geada
esperam tímidas o fim
talvez nesta manhã perfumada

ave que busca alimento
inspira a nostalgia e sorri
voa baixo, contra o vento
encontra as flores por ali

marrom que vai tomando tudo
embarrando sentimentos
desmerecem os musgos
secam até os tormentos

o que resta é o perfume
espalhado pelos girassois
que embriaga a triste ave
enquanto ela espera o sol.


Dhenova

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