Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

17 de fevereiro de 2013

Soprando luzes...


Soprando luzes....


Por entre estrelas, meus sopros dourados rasgam o céu... depois do vermelho, o  gris de payne me aquieta, e penso num sussurro, após lançar mais uma borboleta, 'vá e volte pra mim'... essas borboletas, que formavam um buquê, agora voam livres, levam luzes coloridas para serem recicladas... a primeira é vermelha e vai sendo carregada pelo sopro dourado... luz vermelha viva que voa num céu muito escuro se perde nos bosques, floridos, seguros em conseguir comportá-la, esta luz vermelha, em pequenas caixas, é enterrada, como deve ser tratada, como coisa humana, orgânica... que volte pra mim já em azul, verde... ou apenas transparente... a segunda é azul, escuro, denso, até pegajoso... esta luz que voa e faz uma curva, para a direita, e volta em círculos, apenas quando eu preciso, ela faz com que eu me invada, busque, rasgue e solte palavras cortantes, ácidas, engasgadas, nada rebuscadas, pintadas em muros crus, de cimento cinza chumbo, e verdes limo... que ela, esta luz, permaneça apenas azul, daquele mais claro, clarinho, a maior parte do tempo... e assim volte pra mim... a terceira é alaranjada, uma luz que já foi dourada, agora já não tão esquálida vista pelo vidro e há partes rachadas que distorcem a imagem, e naquelas quebradas entram insetos, também o frio, o vento, paisagem que desola... que a borboleta leve para depois do monte a luz alaranjada, que a montanha a abrigue de forma branda, plácida, bela, tranquila, ensolarada... e que o amanhã desponte num sol mais forte lá fora, que não queime a pele, que seja cura, inspire magia, que faça as partes rachadas parecerem únicas, formando um vitrô lúdico, e que as quebradas enfim sejam trocadas... e que volte pra mim, esta luz amarela... toda esta cena, pintada à óleo, guardei no coração. Espero daqui a algum tempo me ver entre as luzes que pintei.


Dhenova

2 comentários:

  1. Amiga, poeta tão talentosa e que tem na palavra o coração exposto...Linda tua pintura. Rica tua esperança, livre o teu pensar.

    Adoro tudo em ti!

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  2. Amo-te sempre, amiga! Teu carinho é único!

    Grata demais!

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