Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

1 de fevereiro de 2013

Pela vidraça da sala


Pela vidraça da sala


E a mão corre espalmada
pela vidraça da sala
mostra lá fora o véu cinza
chuva fina o campo molha
passo a mão de unhas curtas
espero o canto e choro
ansiando por outra porta

mas as portas foram fechadas
ficou só a janela de vidro
ainda que o vapor
que embaça os sentidos
forme figuras de amor
e tente provocar o riso
o escuro do dia se faz bizarro

perdi a ilusão de ontem
ao ver-te tão arisco e frágil
oh, pobre retângulo transparente
em que escorre a mão espalmada
lá fora, misteriosamente, agora
há uma trilha de amapolas
vermelhas enfileiradas.


Dhenova

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