Faço versos com o vento, areia do deserto; minha densidade eu mesma aguento, não sou sexo frágil; imaturidade não concebo, indiscutível é o intento, todavia, quando a maré é alta, o poema sai aos avessos, meio sem forma, mas no conteúdo, ah, ele arrasa e não deforma.

28 de fevereiro de 2013

O voo do pássaro azul


O voo do pássaro azul


Busquei nas nuvens descoloridas uma rota discreta, quis ser mais do que fera, recolhi as asas, esqueci poemas, fechei as tantas portas, e outras tantas janelas, não quis o perfume da primavera, e ainda assim me feri com a brisa estranha e letal que veio de um final gris.
Tranquei o coração num cofre, sentimentos torpes, emoção estranha que não entendi, fiz um grande pacote com um vestido de organdi, e coloquei embaixo do armário... e lá esqueci.
Recortei todas as letras para a carta anônima e nela eu dizia 'eu te amo' e 'volta pra mim', mas não havia cola, o vento soprou forte, invadiu o quarto, vindo não sei de onde, espalhou tudo pelo jardim, e aí eu desisti... percebi que algumas pessoas são só superfície e que não vale a pena seguir.
Plantei flores perfumadas, imaginando um novo sol, nova morada, novo e nova, e não deu em nada, vi a página virada e compreendi. Ainda que exista sentimento, quem vive num palco nunca lamenta a falta de amor, só finge as penas enquanto busca alívio para o ego pisando em cima das flores que ainda não desabrocharam... e continuei.
Colhi lindas rosas amarelas sem perfume, eram de plásticos no final e eu nunca soube o que aconteceu com as naturais, mas deixei assim, melhor replantar outro jardim, não adianta insistir quando a terra seca não produz mais nenhum fruto, não há futuro... e agora voo sozinha, asas rentes ao chão, sou pássaro azul prata, não busco mais nenhuma adaga. Agora aprendi, a solidão é meu caminho, sou pássaro fora do ninho, sou feliz assim.


Dhenova

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